Onze meses após assassinato de Marielle Franco, há mais dúvidas que certezas e muitas perguntas ainda sem resposta

Imprimir
13 de fevereiro de 2019 Segurança pública Defensores de direitos humanos Mulheres LGBTI
01_MARIELLE-11M_SITE_1170x780px

Anistia Internacional afirma que as investigações devem chegar à verdade e identificar corretamente todos os envolvidos no assassinato e cobra das autoridades competentes respostas para inúmeras perguntas feitas em levantamento sobre o histórico do caso, lançado nesta quarta-feira, 13 de fevereiro.

.

Onze meses depois do assassinato da defensora de direitos humanos e vereadora Marielle Franco, a Anistia Internacional divulga novo levantamento reunindo informações veiculadas publicamente sobre o caso que indicam possíveis incoerências e contradições no decorrer das investigações. O documento intitulado “O labirinto do caso Marielle Franco e as perguntas que as autoridades devem responder” traz ainda uma lista de mais de vinte perguntas sobre pontos críticos que até hoje não foram esclarecidos.

.

“O que já foi revelado publicamente sobre o assassinato de Marielle levanta sérias preocupações da Anistia Internacional em relação a possíveis negligências, interferências indevidas, ou o não seguimento do devido processo legal durante as investigações. As autoridades devem responder às perguntas que agora são feitas sobre pontos críticos do caso. A Anistia Internacional continuará monitorando o caso até que todas as perguntas tenham sido respondidas e o caso, solucionado” afirma Jurema Werneck, Diretora Executiva da Anistia Internacional Brasil.

.

O documento foi construído a partir de informações divulgadas por autoridades públicas ou publicamente pela imprensa e traz as informações agrupadas em torno dos seguintes sete temas: disparos e munição, a arma do crime, os carros e aparelhos usados e as câmeras de segurança, procedimentos investigativos, responsabilidade e competência das investigações, acompanhamento externo e andamento das investigações. O documento traz ainda perguntas que as autoridades devem responder sobre cada um dos temas.

.

Labirinto Marielle Franco

.

“Embora as investigações estejam sob sigilo, o que já foi divulgado publicamente sobre o caso levanta questões sérias sobre possíveis ilegalidades dentro de instituições de segurança no país, já que munições e armas de propriedade do Estado teriam sido desviadas. É de extrema preocupação que um lote de munição da Polícia Federal tenha sido desviado, usado em homicídios, e que depois de tanto tempo as autoridades não tenham dado uma explicação satisfatória” afirma Werneck.

.

Entre outros pontos críticos destacados no documento estão a falta de respostas o desligamento das câmeras de segurança do local do crime dias antes do assassinato, o desaparecimento de submetralhadoras do arsenal da Polícia Civil do Rio de Janeiro e negligências no armazenamento do carro. As falas públicas das autoridades sobre o andamento das investigações e estimativa de conclusão do inquérito policial também foram destacadas no documento.

.

“Desde que o assassinato de Marielle Franco completou cinco meses ouvimos autoridades dizerem publicamente que as investigações estavam andando e que o caso estava perto de ser concluído. Se até hoje não se sabe quem matou, quem mandou matar Marielle e nem a motivação do crime, em que as autoridades se basearam todos esses meses para afirmarem que as investigações estavam próximas do fim?” destaca Werneck.

.

Com o início de nova gestão no Governo Federal, outro tema de preocupação é o seguimento que será dado à investigação da Polícia Federal sobre as investigações da Polícia Civil.

.

“Em novembro do ano passado, o então Ministro da Segurança Pública anunciou que a Polícia Federal iria investigar as investigações do assassinato de Marielle Franco diante de denúncias de que haveria um grupo organizado com participação de agentes do estado agindo para interferir negativamente no andamento das investigações. Essa suspeita é grave e precisamos que as novas autoridades federais deem uma resposta à altura e que a gente saiba a conclusão da investigação aberta pela Polícia Federal” afirma Werneck.

.

Anistia Internacional tem se posicionado publicamente desde o assassinato de Marielle Franco na noite de 14 de março de 2018 cobrando das autoridades que garantam uma investigação célere, imparcial, independente e exaustiva sobre este crime. Passados onze meses, a Anistia Internacional cobra das autoridades que respondam às inúmeras perguntas feitas sobre pontos críticos do caso e que não podem cair no esquecimento.

.

“O que esperamos das autoridades hoje é que impulsionem uma investigação imparcial, independente e exaustiva sobre este crime e que respondam a cada uma dessas perguntas colocadas pela Anistia Internacional. E, acima de tudo, esperamos que as autoridades afirmem seu compromisso de garantir que as investigações cheguem aos verdadeiros responsáveis por esse crime brutal, e que identifique tanto os executores, quando os mandantes e a motivação” conclui Werneck.

.

Saiba mais

Acesse aqui “O Labirinto do Caso Marielle Franco” atualizado

Autoridades estaduais recém empossadas no Rio de Janeiro devem assumir publicamente compromisso com caso Marielle Franco

Caso Marielle Franco é destaque da maior campanha de direitos humanos do mundo

Investigação sobre o assassinato de Marielle Franco parece um labirinto de caminhos inexplorados

Entre em ação!

Quem matou Marielle Franco? Assine e exija uma resposta!

13 de fevereiro de 2019 Segurança pública Defensores de direitos humanos Mulheres LGBTI

Mais Notícias

20 de março de 2019 | Política internacional Defensores de direitos humanos Conflitos

Venezuela: relatório da ONU sobre crise em direitos humanos é o primeiro passo para a verdade

Anistia Internacional apoia as vítimas da crise de direitos humanos na Venezuela e recebe com satisfação o compromisso do escritório de direitos humanos da ONU.

20 de março de 2019 | Política internacional Defensores de direitos humanos Liberdade de expressão

Turquia: defensores de direitos humanos devem ser absolvidos imediatamente

Delegação da Anistia Internacional acompanha o julgamento de Taner Kiliç e de Instambul 10

13 de março de 2019 | ___

Vaga: Assistente de Ativismo e Mobilização

A Anistia Internacional Brasil está com uma vaga aberta para integrar o time Ativismo e Mobilização como assistente.
Carregar mais notícias