No marco de três anos do assassinato da vereadora e defensora de direitos humanos, Marielle Franco, e de seu motorista, Anderson Gomes, a Anistia Internacional Brasil entregará no dia 12 de março, sexta-feira, uma petição representando as mais de 1 milhão de assinaturas de pessoas do Brasil e do mundo que há 3 anos exigem justiça por Marielle e Anderson. Os destinatários desses pedidos de justiça são o governador em exercício, Claudio Castro, e o procurador-geral de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, Luciano Mattos.

O ato “Vozes por Marielle e Anderson” será ouvido pelas ruas do Rio de Janeiro, também no dia 12 de março. Um caminhão, com um painel de led, circulará em alguns pontos-chave (onde ocorreu o assassinato de Marielle, em frente ao Palácio Guanabara, sede do Governo do Estado do Rio e também em frente ao Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro e outros) propagando a mensagem: “Três anos é muito tempo sem respostas! Exigimos justiça para Marielle e Anderson”. A Anistia Internacional Brasil reuniu mais de 10 idiomas em mensagens que vieram de países como Alemanha, Espanha, França, Suécia, Portugal, Ucrânia, Argentina, Chile, México, Mongólia, Taiwan, Nova Zelândia, entre outros.

“A Anistia Internacional Brasil cobra por justiça desde o início do caso. Três anos é tempo demais para não se saber quem mandou matar Marielle e por quê. Nossa mobilização exigindo justiça rompeu as fronteiras do Brasil e ganhou adesão de milhares de pessoas ao redor do mundo. Assim como nós, elas levam a injustiça feita com Marielle e Anderson para o lado pessoal e se unem para exigir que o caso seja solucionado definitivamente e os executores e mandantes sejam processados, julgados e responsabilizados”, afirma Jurema Werneck, diretora-executiva da Anistia Internacional Brasil.

O caso Marielle Franco completa 3 anos no domingo, 14 de março, e até agora os mandantes do crime ainda não foram descobertos e os acusados de terem participado de sua morte ainda não foram julgados pelo Tribunal do Júri. A Anistia Internacional Brasil acompanha essa demora na resolução com preocupação.

“No Brasil e no mundo, defensores dos direitos humanos ainda são ameaçados, perseguidos e assassinados. Nosso país é o terceiro mais perigoso para defensores de direitos humanos e do meio ambiente. Os Estados devem garantir a segurança e a liberdade de atuação dessas pessoas que lutam pelos direitos humanos, além de garantir que, caso seus direitos sejam ameaçados ou violados, sejam realizadas investigações sérias, imparciais e efetivas que levem à identificação e julgamento dos responsáveis. A impunidade não pode ser a resposta para o brutal assassinato de Marielle. A Anistia Internacional acredita também que já passa da hora das autoridades brasileiras agirem de forma transparente, permitindo que a sociedade conheça e avalie as fragilidades, limitações e acertos desta investigação para que não se espere mais por justiça. É preciso impedir que a impunidade seja a mensagem que o Rio de Janeiro e o país enviam às famílias, a todas e todos que agem em favor dos direitos, a sociedade brasileira e ao mundo”.

Audiências sobre o caso

A Anistia Internacional Brasil e o Instituto Marielle Franco enviaram pedidos de audiências online para se reunirem com o governador em exercício, Claudio Castro, e com o procurador-geral de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, Luciano Mattos. Mas não receberam respostas dessas autoridades até o fechamento desse comunicado. As solicitações também marcam as ações pelos 3 anos do assassinato da vereadora e defensora de direitos humanos, Marielle Franco, e do motorista, Anderson Gomes. Tanto a Anistia, quanto o Instituto, esperam que sejam abertos diálogos entre as famílias das vítimas e seus representantes com os novos ocupantes do executivo e do Ministério Público fluminense, e que as autoridades possam compartilhar quais providências têm adotado para que o caso seja solucionado. Serão os primeiros encontros da Anistia Internacional Brasil e das famílias de Marielle e Anderson com o governador em exercício e com o procurador-geral de justiça do Estado do Rio de Janeiro.

“Enquanto as autoridades não resolverem esse crime, elas estão enviando uma mensagem clara a brasileiros e brasileiras e ao mundo que violações contra defensores dos direitos humanos são permitidas no Brasil. Exigir justiça para Marielle é não permitir que outro assassinato de defensores dos direitos humanos fique impune. O governador em exercício do Rio, Claudio Castro, e o procurador-geral do Estado do Rio de Janeiro, Luciano Mattos, precisam ser transparentes para que a sociedade brasileira e a comunidade global saibam o que fizeram no ano passado para garantir justiça por Marielle”, explica Jurema Werneck.

 

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