Após uma campanha global, as autoridades iranianas suspenderam temporariamente, por motivos médicos, a implementação da sentença de prisão de Narges Mohammadi e a libertaram sob fiança em 10 de maio de 2026. Ela permanece hospitalizada em terapia intensiva em Teerã.
A Anistia Internacional segue exigindo sua libertação imediata e incondicional, bem como a retirada de todas as acusações contra ela, que decorrem exclusivamente de sua atuação em defesa dos direitos humanos.
Última atualização: 12 de maio de 2026.
O que pedimos
As autoridades iranianas estão colocando de forma imprudente a vida da defensora de direitos humanos Narges Mohammadi em risco, submetendo-a à tortura e a outros maus-tratos por meio da negação deliberada de acesso a cuidados de saúde especializados, adequados e em tempo oportuno.
Ela sofreu um ataque cardíaco em 24 de março de 2026, na prisão de Zanjan, na província de Zanjan, e desde sua prisão injusta, em dezembro de 2025, apresenta dores no peito, oscilações de pressão arterial, fortes dores de cabeça, tonturas, náuseas e visão dupla.
Apesar da gravidade do quadro, as autoridades seguem negando a transferência para um hospital especializado fora da prisão, em Teerã, onde ela poderia receber o tratamento médico urgente de que necessita.
Saiba mais sobre o caso
Narges Mohammadi foi detida enquanto exercia pacificamente seus direitos durante uma cerimônia em memória do advogado Khosrow Alikordi, em Mashhad. Durante sua detenção, sofreu episódios de desmaio e perda de consciência, sem acesso adequado a cuidados médicos.
Durante os interrogatórios, as autoridades pressionaram Narges Mohammadi a fazer declarações públicas condenando os protestos nacionais iniciados em 28 de dezembro de 2025 — exigência que ela se recusou a cumprir.
As autoridades iranianas vêm, de forma reiterada, negando ou atrasando seu acesso a tratamento médico, colocando sua vida em risco. Em fevereiro de 2022, após sofrer múltiplos ataques cardíacos, ela passou por uma cirurgia de emergência, mas foi devolvida à prisão contra orientação médica. Em novembro de 2023, também foi impedida de receber atendimento hospitalar após as autoridades condicionarem sua transferência ao uso obrigatório do véu.
Relatórios médicos de 2024 apontaram o agravamento de sua condição cardíaca e a necessidade de substituição de um stent. Em dezembro de 2024, sua pena foi temporariamente suspensa por razões médicas, até que ela fosse novamente presa arbitrariamente, em dezembro de 2025.
Narges Mohammadi sofre represálias há quase 25 anos por sua atuação em defesa dos direitos humanos, incluindo múltiplas condenações injustas. Em fevereiro de 2026, foi novamente condenada a mais sete anos e meio de prisão com base em acusações relacionadas à segurança nacional. Em 6 de outubro de 2023, recebeu o Prêmio Nobel da Paz “por sua luta contra a opressão das mulheres no Irã e pela promoção dos direitos humanos e da liberdade para todas as pessoas”.
A população do Irã, incluindo pessoas privadas de liberdade, enfrenta um cenário agravado pelos ataques militares conduzidos pelos Estados Unidos e por Israel entre fevereiro e abril de 2026, que causaram graves danos à população civil e atingiram áreas próximas à prisão de Zanjan. Também há relatos de escassez de alimentos, água potável e itens básicos nas prisões.
Nesse contexto, aumentam significativamente os riscos de graves violações de direitos humanos e de crimes atrozes contra a população iraniana, tanto em decorrência das ações das autoridades internas quanto dos ataques externos.
TEXTO DA CARTA
Chefe do Judiciário, Gholamhossein Mohseni Ejei
c/o Embaixada do Irã junto às Nações Unidas em Genebra
Chemin du Petit-Saconnex 28, 1209 Genebra, Suíça
Prezado Sr. Gholamhossein Mohseni Ejei,
A vida da ganhadora do Prêmio Nobel da Paz e defensora de direitos humanos Narges Mohammadi está em risco crítico, já que as autoridades iranianas, incluindo membros do Ministério Público, a submetem a tortura contínua ou a outros maus-tratos na prisão de Zanjan, por meio da negação deliberada de cuidados médicos especializados adequados e oportunos para sua grave condição cardíaca.
Segundo fontes informadas, Narges Mohammadi sofreu um ataque cardíaco na prisão em 24 de março de 2026 e foi encontrada inconsciente em sua cela, com membros frios, dormência no corpo e os olhos revirados. Suas companheiras de cela a levaram à enfermaria, onde recebeu medicação, mas as autoridades se recusaram a transferi-la para um hospital. Em 30 de março, ela foi examinada por um cardiologista fora da prisão, que avaliou que os medicamentos prescritos pelo médico da prisão contribuíram para o ataque cardíaco e alertou para o risco de recorrência.
Desde então, sua saúde se deteriorou rapidamente, segundo familiares e advogados que a visitaram em 28 de abril de 2026, relatando que ela continua com dores no peito e está muito debilitada. Ela também perdeu 20 kg desde sua prisão em 12 de dezembro de 2025, com perda de peso acelerada nos últimos dois meses. O Instituto Médico Legal de Zanjan recomendou, em 13 de abril de 2026, a suspensão temporária de sua pena por um mês por motivos de saúde, mas as autoridades se recusam a liberá-la ou mesmo autorizar sua transferência para tratamento em Teerã.
De acordo com seus advogados e familiares, médicos em Zanjan avaliaram que a falta de cuidados médicos especializados contínuos — disponíveis apenas em Teerã — coloca sua vida em grave risco.
Após sua prisão arbitrária em 12 de dezembro de 2025, em Mashhad, agentes a submeteram a tortura ou outros maus-tratos, incluindo espancamentos severos por todo o corpo e na cabeça, exigindo cuidados médicos. Posteriormente, ela foi mantida em um centro de detenção do Ministério da Inteligência até 10 de fevereiro de 2026, quando foi transferida abruptamente para a prisão de Zanjan, sem aviso prévio à família ou aos advogados, onde permanece em ala com pessoas condenadas por crimes violentos.
Desde maio de 2021, as autoridades iranianas a condenaram injustamente a mais de 20 anos de prisão, 154 chicotadas e outras sanções em oito processos distintos relacionados ao seu ativismo em direitos humanos.
Solicito que você liberte imediatamente e de forma incondicional Narges Mohammadi, pois ela é uma prisioneira de consciência detida apenas por seu ativismo em direitos humanos, e anule suas condenações e sentenças injustas.
Enquanto não for libertada, garanta a ela acesso a cuidados médicos especializados adequados, incluindo tratamento indisponível na prisão ou em Zanjan, e proteja-a contra novas formas de tortura ou maus-tratos. Uma investigação rápida, independente, eficaz e imparcial sobre as alegações de tortura deve ser conduzida, com responsabilização dos envolvidos em julgamentos justos.
Atenciosamente.



