Projeto Banana-Terra: conectando jovens para que transformem suas realidades

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“Estou aqui para absorver todo o conhecimento que vocês puderem me passar.” Yasmin Andrade, 22 anos

“Quero levar o que aprendi aqui para o local onde vivo e promover mudanças.” Mollyne Dantas, 23 anos

“Estou aqui para manter minha esperança. Para garantir que ela nunca acabe.” Ray Chaves, 20 anos

Essas são algumas das respostas que recebemos, quando perguntamos aos 21 jovens que participaram da fase Centro-Oeste do Projeto Banana-Terra: o que vocês estão fazendo aqui?

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A iniciativa da Anistia Internacional Brasil e Greenpeace Brasil tem o objetivo de fortalecer jovens ativistas que trabalham com meio ambiente e direitos humanos, ajudando-os a se planejarem para levarem o que aprenderam para as regiões onde moram. Além disso, ao apresentar esses jovens uns aos outros e estimulá-los a trabalharem em conjunto, o Projeto Banana-Terra cria uma comunidade onde eles podem se apoiar e construir juntos.

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De diferentes cidades e estados da região Centro-Oeste, pessoas negras, indígenas, pardas e brancas vindas do ativismo indígena, quilombola, universitário, de bairro, de ONG, artístico e de muitos outros, se reuniram na cidade de Dourados (MS). Ali elas passaram três dias trocando experiências, ensinando, aprendendo e se conectando com outras que, apesar de viverem em realidades diferentes, têm a mesma vontade de mudá-las.

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No primeiro dia, os participantes foram recebidos na sala por um equipe animada, composta por ativistas da Anistia Internacional Brasil e do Greenpeace Brasil presentes para estimulá-los a compartilhar suas próprias experiências e ouvir as dos outros. Aliás, aí está um dos segredos do Projeto Banana-Terra: valorizar o que cada participante traz, em vez de tentar ensinar uma única forma de fazer ativismo.

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“Devemos ter consciência de que todos nós somos como uma chama, que um dia e uma hora se apaga – mais cedo para alguns, mais tarde para outros. Porém, também somos complementares, pois quando a chama de uma pessoa se apaga, a da outra continua acesa e a gente se acende na chama do outro”, explica Paulo Vicente, da Anistia Internacional Brasil, depois dos participantes responderem o que estão fazendo ali.

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Paulo faz essa observação porque o ativismo, muitas vezes, é uma atividade solitária. Vários dos jovens comentam o quanto pode ser difícil defender o meio ambiente e os direitos humanos em uma região dominada pelo agronegócio, atividade econômica que nem sempre respeita esses valores. Portanto, essa noção de que em momentos difíceis os participantes podem e devem contar uns com os outros é algo que os motiva.

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“Eu vim aqui para me energizar com a juventude de vocês, porque a gente sempre aprende com os mais jovens”, diz Fátima Barros, liderança quilombola da Ilha de São Vicente, em Tocantins, que também esteve ali para compartilhar sua experiência de resistência. Os participantes adoraram conhecê-la e ouvir suas histórias. Essa troca entre pessoas com experiências tão diferentes é outro do segredo do Projeto Banana-Terra.

FATIMA BARROS

Fátima Barros em apresentação

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No segundo dia, os participantes passaram por atividades que os convidavam a pensar sobre seus propósitos, em como atrair mais gente para alcançá-lo, a compartilhar suas realidades e a conhecer outras – e estão começando a pensar em como fazer tudo isso com segurança. Janio Nanjio, um dos participantes indígenas da etnia Guarani Kaiowá, realizou uma atividade com todo o grupo e compartilhou uma dança da alegria do seu povo, motivado pela felicidade de estar ali, conhecendo e sendo reconhecido por tanta gente. Um momento de grande emoção no encontro!

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Janio Nanjio

Janio Nanjio em atividade

O trabalho foi intenso até o último momento do último dia de oficinas, e foi aí que os participantes começaram a perceber que logo logo iriam embora e se despedir fisicamente desse encontro de tantas trocas. O desejo era uníssono: querem conhecer mais ativistas como a Fátima. Querem mais dias de oficinas. Nas três edições do Projeto Banana-Terra (as anteriores foram na região Norte e Nordeste do Brasil) foi assim.

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A verdade é que esses pedidos aquecem nosso coração, porque, o que eles estão dizendo é que não querem mais se sentir sozinhos. Querem ter ao lado deles, todos os dias, pessoas com quem trocar experiências, que compartilhem seus ideais, sonhos e que – acima de tudo – estão dispostas a se mobilizar para mudar a realidade.

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Com o fim das oficinas, até julho, todos os 82 participantes das três edições terão lido muitos materiais de apoio, mapeado quais os principais problemas ambientais e de direitos humanos em suas comunidades, construído e concluído um projeto para lidar com estes problemas e precisarão se unir para fazer tudo isso. Sozinhos eles não ficam mais!

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Quando questionado o que ele espera dos jovens que estão saindo dali, Filipe Meirelles, da Anistia Internacional Brasil, responde que quer que saiam dali “lideranças habilidosas, lideranças capazes de dialogar, que possam de fato promover a mudança que precisam e desejam”. E quando vemos toda essa disposição e todos esses pedidos – pedidos para conviver com  gente diferente, para aprender, para ensinar, para agir – não temos dúvidas de que o desejo de Filipe já está se realizando.

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Quer ver os resultados do Projeto Banana-Terra? Fique ligado no site: www.bananaterra.org.br Ficou inspirado e também quer fazer algo pelas causas em que acredita? Torne-se voluntário da Anistia Internacional Brasil ou faça uma doação.

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Saiba mais: Banana-Terra no Nordeste: Muito calor e energia

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