O Canadá deve retirar as acusações contra os Wet’suwet’en, criminalizados por protegerem suas terras da construção de um gasoduto que chegou sem que eles fossem sequer consultados.    

Últimas atualizações do caso

Em 17 de outubro de 2025, um juiz da Colúmbia Britânica proferiu sentenças contra três defensores de terras indígenas presos em novembro de 2021 durante uma operação fortemente militarizada da Polícia Montada Real Canadense (RCMP) no território ancestral não cedido da Nação Wet’suwet’en. Sleydo’ (Molly Wickham), chefe de ala do Clã Gidimt’en, Shaylynn Sampson, uma Gitxsan com laços familiares com os Wet’suwet’en, e Corey “Jayohcee” Jocko, um Kanien’kehá:ka (Mohawk) de Akwesasne, foram acusados e condenados por supostamente violarem uma liminar judicial que proibia ações de defesa de terras próximas à construção do gasoduto Coastal GasLink. Embora tenham sido condenados a penas de prisão de 17, 12 e nove dias, respectivamente, o juiz suspendeu a execução das penas e determinou que cumprissem 150 horas de serviço comunitário. 

A Anistia Internacional documenta desde 2020 violações de direitos humanos contra defensores das terras Wet’suwet’en e seus aliados, incluindo os três ativistas. Segundo a organização, a liminar judicial que levou às prisões restringe indevidamente os direitos humanos dos defensores e os direitos indígenas da Nação Wet’suwet’en. Em fevereiro de 2025, a Suprema Corte da Colúmbia Britânica reconheceu que os direitos de Sleydo’, Sampson e Jocko foram violados durante suas prisões, citando, entre outros fatores, declarações racistas anti-indígenas feitas por membros da RCMP durante a operação. Apesar disso, o tribunal decidiu não suspender todas as acusações contra os réus. 

O caso integra um contexto de criminalização de defensores indígenas que se opõem à construção de infraestrutura de combustíveis fósseis em seus territórios. Em julho de 2024, a Anistia Internacional declarou o líder Wet’suwet’en Dsta’hyl prisioneiro de consciência após ele ser condenado a 60 dias de prisão domiciliar por supostamente violar a mesma liminar judicial. O caso também fez parte da campanha “Escreva por Direitos” (2024), que reuniu 16.509 assinaturas. A Anistia Internacional Canadá segue instando o governo da Colúmbia Britânica a pôr fim à criminalização de defensores das terras indígenas e continua atuando contra a expansão de gasodutos em territórios Wet’suwet’en e de outras nações indígenas. 

Qual é o problema?  

Há muito tempo, os líderes da nação indígena Wet’suwet’en se opõem à construção de um gasoduto que vai atravessar as suas terras. Mesmo assim, a Coastal GasLink, a empresa responsável pelas obras, e as autoridades canadenses seguem com a construção, sem o consentimento livre, prévio e informado dos Wet’suwet’en e sem responder aos seus questionamentos.   

O gasoduto já causou enorme dano ambiental e isolou o povo de seu território ancestral, o que inviabiliza sua forma de viver, caracterizada por atividades tradicionais, como a caça e a pesca, uma vez que a floresta tem sofrido os impactos da grande obra.   

O acesso a diversos trechos do território é restrito, mas não para a empresa de oleodutos, uma firma de segurança por ela contratada e a polícia do Canadá. Em várias ocasiões, quando o povo Wet’suwet’en foi ao seu próprio território, sofreu intimidação e assédio da polícia e dos seguranças. Os indígenas já tiveram inclusive casas queimadas, invasão de policiais aos seus locais de moradia, o confisco de pertences e casos de assédio contra mulheres.  

Atualmente, vários dos Wet’suwet’en enfrentam acusações criminais – e poderão ser condenados e presos.   

A Nação Wet’suwet’en tem o direito de decidir que tipo de projeto de desenvolvimento é permitido em suas terras ancestrais. E, por normativas internacionais, povos indígenas têm direito de consentir ou não, desde que essa permissão seja livre, prévia e informada.

A empresa responsável pelo gasoduto declarou à Anistia Internacional que acredita ter consultado o povo Wet’suwet’en, mas a nossa análise determinou que o processo de consulta tinha falhas e não estava de acordo com as normas internacionais.  

O que você pode fazer para ajudar?

Assine a petição para que o governo canadense:   

  • Retire imediatamente as acusações contra os defensores da terra criminalizados que se opõem ao gasoduto Coastal GasLink;  
  • Pare as obras que cortam o território Wet’suwet’en sem o consentimento livre, prévio e informado do povo Wet’suwet’en;   
  • Deixe de realizar outros megaprojetos em territórios indígenas sem consultar verdadeiramente e obter o consentimento livre, prévio e informado dos povos indígenas.  

O caso da Nação Wet’suwet’en faz parte da “Escreva por Direitos“, da Anistia Internacional. A Campanha junta pessoas de todos os cantos do mundo, todos os anos, para lutar contra injustiças e apoiar pessoas e comunidades que têm seus direitos humanos ameaçados.

Escrevendo cartas, assinando petições e compartilhando histórias, você também pode exigir justiça e convocar as autoridades daqueles lugares em que as injustiças estão acontecendo a fazerem a coisa certa.