A partir do dia 10 de dezembro, a Anistia Internacional inicia mais uma edição da maior campanha de promoção de Diretos Humanos do mundo. A Maratona de Cartas “Escreva por Direitos” chega ao seu 12º ano e, mais uma vez, conta com a mobilização de pessoas ao redor do globo para reverter injustiças e chamar a atenção para sérias violações de direitos. O lançamento do evento será realizado no Festival “Todo mundo tem direitos”, a partir de 15h do dia 10 de dezembro no Parque Madureira, Rio de Janeiro.

Há várias formas de participar: acessando o site da Anistia Internacional (anistia.org.br) para assinar as petições, usar as hashtags #W4R e #EscrevaPorDireitos ou participar dos eventos de ativismo promovidos pelos voluntários da organização. Para alguns dos casos, há também a possibilidade de realizar uma ação de solidariedade ao enviar mensagens de apoio aos indivíduos ou suas famílias.

A iniciativa é promovida desde 2003 e já mobilizou milhões de pessoas a lutar e pressionar governantes do mundo inteiro pelo respeito aos direitos humanos de indivíduos e comunidades. Somente no ano passado, mais de 3 milhões de mensagens foram enviadas.

“Testemunhamos todos os dias graves violações de direitos humanos, como tortura, racismo, violência de gênero e ataques às liberdades. A Maratona de Cartas ‘Escreva por Direitos’ representa um dos contrapontos mais poderosos a esta realidade, uma demonstração de solidariedade e mobilização cidadã em defesa dos direitos humanos de todas as pessoas”, afirma Atila Roque, diretor executivo da Anistia Internacional no Brasil.

No Brasil, a campanha ocorrerá entre os dias 10 e 16 de dezembro no Brasil. Serão seis casos de graves violações de direitos humanos, sendo dois brasileiros:

• Pedro Ivo: morador da favela de Acari, o jovem foi assassinado por policiais militares quando voltava do trabalho para casa. Os policiais, na tentativa de justificar o homicídio, declararam que Pedro Ivo carregava munição, carregadores de armas e uma “erva seca”.

• Andreu Luis da Silva de Carvalho: foi morto aos 17 anos por agentes de uma das unidades do Departamento de Ações Socioeducativas (Degase) em 2008. Até hoje o não foi a julgamento e, apesar da denúncia do MP, parte dos agentes seguem na ativa trabalhando com adolescentes.

• Meninas de Burkina Faso: Neste país milhares de meninas e adolescentes são forçadas a se casar cedo. Uma em cada três meninas se casa antes de completar 18 anos. Os casamentos forçados e precoces são proibidos pela constituição do país, mas as autoridades continuam ignorando esse crime.

• Rania Alabassi: Rania, seu marido e seus seis filhos, foram levados de sua casa pelo governo Sírio em março de 2013. Depois disto, ninguém mais soube de seu paradeiro e as autoridades sírias têm se recusado a dar aos parentes da família qualquer informação.

• Teodora del Carmen Vásques: Em El Salvador, o aborto é totalmente criminalizado. Por isso ela foi condenada a 30 anos de prisão por “homicídio qualificado” depois de sofrer um aborto espontâneo.

• Albert Woodfox: Condenado pelo assassinato de um guarda da prisão em 1972, enquanto estava cumprindo pena por roubo, Albert afirma que é inocente e já passou 40 anos em confinamento solitário nos Estados Unidos. Ele acredita que sua condenação foi politicamente motivada, já que ele era um membro do Partido dos Panteras Negras, grupo de luta e defesa dos direitos civis dos negros.

CASOS DE SUCESSO

Ativistas, pessoas que voluntariamente se organizam para divulgar e mobilizar a atenção do público para casos de violações de direitos, têm um papel fundamental nos desdobramentos do caso.

Em anos anteriores, a Anistia Internacional comemorou o sucesso de casos como o de Moses Akatugba. O rapaz foi preso na Nigéria, torturado e condenado à morte por roubar três celulares quando tinha apenas 16 anos. Moses (23) foi libertado em maio de 2015 graças à mobilização de apoiadores da Anistia Internacional na Maratona de Cartas “Escreva por Direitos 2014”.

“O mais surpreendente e empolgante desta campanha é a capacidade de uma ação individual se transformar numa ação global. Juntos, nós temos a capacidade de tornar o mundo um lugar melhor”, conclui Atila Roque.

Este ano, somente no Brasil, os ativistas da Anistia Internacional promoverão atividades nas seguintes cidades: Rio de Janeiro (RJ), Duque de Caxias (RJ), Nova Iguaçu (RJ), Petrópolis (RJ, Conceição de Macabu (RJ), Niteroi (RJ, São Gonçalo (RJ), Brasília (DF), Dourados (MS), Goiânia (GO), São Paulo (SP), São Luís (MA) Porto Alegre (RS).

FESTIVAL TODO MUNDO TEM DIREITOS

O Festival Todo Mundo Tem Direitos é uma iniciativa conjunta de organizações da sociedade civil com o objetivo de desconstruir a cultura que determinados grupos têm mais direitos que outros. Todos os humanos têm direitos!

O evento reunirá atividades de dança, grafite, funk, hip hop, poesia, debates e rodas de conversa. Para as atrações musicais já estão confirmados nomes como Ellen Oléria, Flora Matos, GOG, Roberta Estrela D’Alva, Caetano Veloso, Marcelinho da Lua, Batida Nacional, Xênia França e Khrystal.