Raull Santiago no Youth, Power, Action: “O acreditar se fortalece em coletividade”

Gabriela Moscardini
Assistente de Comunicação Anistia Internacional

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Raull Santigo não para: Rio de Janeiro, Recife, Belo Horizonte, São Paulo, Washington DC e, agora, Nairóbi… do Complexo do Alemão pra o mundo, é nas andanças que Raull fortalece sua luta e seu movimento. O jovem de 29 anos não fica parado quando o assunto é direitos humanos. Ativista, comunicador e fundador do Coletivo Papo Reto – coletivo de comunicação independente composto por jovens moradores dos Complexos do Alemão e Penha -, Raull esteve com a Anistia Internacional na primeira cúpula de juventude da organização, o #YouthPowerAction, evento que reuniu mais de 100 representantes – entre jovens ativistas e membros de mais de 30 escritórios da Anistia Internacional ao redor do mundo – em Nairóbi, capital do Quênia.

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A Cúpula Youth, Power, Action! foi um momento de encontro e trocas de uma rede global de coordenadoras, coordenadores e ativistas da Anistia Internacional que se dedicam a promover uma maior participação de jovens no movimento. O encontro aconteceu entre os dias 3 e 6 de maio. Com reuniões, seminários e oficinas na programação, a Youth, Power, Action! foi uma excelente oportunidade de compartilhamento de experiências e renovação para o trabalho da Anistia Internacional em parceria com juventudes de todo o mundo.

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Raull Santiago participou da Cúpula Youth, Power, Action! representando o Coletivo Papo Reto e nos contou como foi a experiência.

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Como foi participar do Youth Power Action, no Quênia, esse ano?

Foi incrível demais participar do YPA. Na verdade, desde antes de chegar no Quênia, pois quando recebi o convite da Anistia Internacional Brasil fiquei muito empolgado não só de estar em um encontro com tantas juventudes potentes de várias partes do planeta, mas também pelo fato de estar pela primeira vez em alguma parte da África, continente tão rico em histórias, lutas, culturas.

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Você participou de um evento que tinha como um dos objetivos pensar em estratégias para a participação da juventude na Anistia Internacional. De que forma sua experiência no Brasil contribuiu para a construção de uma estratégia a nível global?

Acredito que no Brasil, a partir das favelas, periferias, quilombos, aldeias, a juventude está tentando fazer coisas em coletividade, realizando atividades locais e também se conectando através das cidades, estados, regiões e nacionalmente. Dessa forma, buscando cada vez mais fazer coisas em coletivo e se fortalecer de forma nacional, compartilhando amplamente saberes que constroem avanços no que diz respeito a busca por garantia de direitos humanos. Compartilhei um pouco das minhas experiências enquanto ativista de Direitos Humanos e integrante dos coletivos Movimentos  e Papo Reto, mostrando o que temos feito para usar tecnologia e comunicação como ferramentas principais de garantia de direitos e para construção de uma rede que atravessa as fronteiras nacionais – mas com linguagem simples e acessível.

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Raull Santigo - QUENIA 001

Raull durante sua fala na sessão Young & Brave: Histórias por trás do movimento quando jovens são perseguidos

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Como foi o diálogo e a troca com ativistas de outros países? O que você pôde perceber de interessante nas experiências da juventude de outros países e como avalia a mobilização da juventude no Brasil? 

A mesa que participei foi muito incrível, pois estive com juventudes dos EUA, Quênia, África do Sul e Indonésia, compartilhando um pouco do que fazemos em nosso país. Era incrível perceber a similaridade no uso da comunicação independente, por exemplo, para mobilizar ações e dar visibilidade às violações, mesmo que os contextos primários de violação se diferenciem em alguns momentos. Foi muito importante saber que violações existem em diferentes países e continentes, e também conhecer as estratégias que meus amigos e amigas estão usando para resistir e tentar garantir direitos.

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Raull Santigo - QUENIA

Raull Santiago com ativistas da África do Sul, Estados Unidos, Quênia e Indonésia com os quais dividiu uma mesa no evento   

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O que você pode trazer de aprendizado? Que tipos de projetos saíram de lá?

Além da conexão com pessoas de vários continentes, me aproximei muito de juventudes da América Latina, em especial um grupo do Chile. Nos juntamos para pensar ações que visem fortalecer nosso continente Latino Americano que vive, muitas vezes, a violência da exploração do mercado de armas e usa a guerra às drogas como ferramenta de exploração, divisão e retrocesso da nossa região do mundo. Construímos um grupo jovem de trabalho latino americano e estamos compartilhando coisas que tem acontecido e que estamos envolvidos, tentando alcançar juventudes de outras partes do continente, para que, assim, possamos agir por uma união potente desta parte do mundo, tão linda, mas com tantas violações em que vivemos.

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Se você pudesse resumir em uma frase sua experiência no Youth Power Action, como ela seria?

O acreditar se fortalece em coletividade.

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Assista a uma das falas do ativista no evento:

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Gabriela Moscardini
Assistente de Comunicação Anistia Internacional

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