Quem matou e quem mandou matar Marielle? Um ano sem respostas é marcado por semana de mobilização

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No dia 14 de março de 2019 completou-se um ano desde que nós – e o mundo – recebemos a triste notícia de que a defensora de direitos humanos, Marielle Franco, e o motorista, Anderson Gomes, haviam sido assassinados. Desde então, nós não paramos de pedir por respostas.

Ao longo de um ano muitas coisas aconteceram e novas perguntas foram surgindo sobre o caso. Nós fizemos questão de marcar todos os meses que ficamos sem respostas e de pressionar as autoridades responsáveis – e nossos apoiadores e ativistas fazem parte dessa mobilização.

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Um ano sem respostas é muito tempo. Durante a semana do dia 14 de março promovemos uma série de ações para pressionar as autoridades e mobilizar o público.

Na segunda-feira (11), convocamos todo mundo para um twittaço a fim de cobrar que o atual governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, finalmente aceitasse e agendasse uma data para nossa proposta de audiência com ele e com os pais de Marielle. Estávamos desde janeiro pedindo uma data e só recebíamos silêncio do lado de lá. Nosso twittaço veio com força total nas redes!

No dia seguinte, transformamos a Praça da Cinelândia, no centro do Rio de Janeiro, em um verdadeiro labirinto. Transformamos o labirinto do caso, publicado em fevereiro, em um labirinto físico, onde mais de 200 pessoas puderam visitar ao longo do dia 12 e ver de perto todas as perguntas sem respostas. Jurema Werneck, diretora da Anistia Internacional Brasil, Margaret Huang, diretora da Anistia Internacional USA, e Marinete da Silva, estiveram presentes enquanto o cronômetro contando 24h rodava à espera de alguma resposta do governador sobre nosso pedido. E essa resposta aconteceu à tarde: finalmente o governador disse nos receberia na tarde seguinte.

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Margaret Huang, diretora-executiva da Anistia Internacional USA, e Jurema Werneck, diretora-executiva da Anistia Internacional Brasil. Foto: Elisângela Leite/Anistia Internacional

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O labirinto foi aberto ao público e trazia as 24 perguntas sem respostas sobre o assassinato de Marielle Franco. Foto: Elisângela Leite/Anistia Internacional

Foi divulgado ainda, na manhã do dia 12, que a polícia brasileira prendeu dois homens no Rio de Janeiro pelo assassinato da defensora de direitos humanos Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. Érika Guevara Rosas, diretora para as América da Anistia Internacional, comentou o avanço das investigações:

“Estas prisões são o primeiro sinal de progresso de uma investigação que apenas avançou após quase um ano dos assassinatos. Fazemos um pedido as autoridades brasileiras para garantir que as investigações sejam independentes e imparciais e que levem todos os responsáveis, inclusive os mandantes, a um julgamento justo”.

Na quarta-feira, 13, quando todos os nossos cronômetros zeraram 24 horas depois da Cinelândia amanhecer enigmática, marcamos presença em frente ao Palácio Guanabara, sede oficial do governo do Rio de Janeiro, para uma fala pública e entrega das mais de 780 mil assinaturas de pessoas de 46 países que pedem por respostas. Acompanhados pela imprensa, comentamos as novidades do caso, falamos da mobilização internacional e reafirmamos a necessidade de um grupo externo e independente de peritos e especialistas para acompanhar as investigações e o processo penal, e que estes devem ser justos, independentes e imparciais.

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As 780 mil assinaturas foram impressas e entregues para o governador Wilson Witzel no Palácio Guanabara. Foto: Elisângela Leite/Anistia Internacional

Marinete da Silva, Jurema Werneck e Margaret Huang protocolaram as assinaturas após algumas horas de espera – mas a mensagem foi entregue! O mundo está de olho. À tarde, Wilson Witzel recebeu a Anistia Internacional, o pai e a mãe de Marielle Franco. Ele se comprometeu a garantir que as investigações do assassinato de Marielle seguirão para identificar os mandantes e pediu desculpas à família pelo episódio de quebra da placa de homenagem.

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Margaret, Jurema e Marinete após protocolo de entrega das assinaturas da petição. Foto: Elisângela Leite/Anistia Internacional

Além de tudo isso, no dia 14, data que marca um ano do brutal assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes nós também enviamos nossa mensagem ao atual presidente do Brasil, Jair Bolsonaro: são mais de 780 mil pessoas, de mais de 40 países, exigindo respostas. Nós pedimos que Jair Bolsonaro faça como Witzel e também se comprometa com o seguimento das investigações até que todos os envolvidos no crime, incluindo mandantes, sejam identificados e levados à justiça.

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Entrega de assinaturas em Brasília para o presidente Jair Bolsonaro. Foto: Caetano Maia

Quem matou e quem mandou matar Marielle? Seguimos.

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