Primeira parada, Holanda: diário de viagem #JovemNegroVivoPeloMundo

Bruno F. Duarte
Assistente de Novas Mídias

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Após dez horas de viagem e sob um frio de 9º, Terezinha de Jesus e Ana Paula Oliveira chegaram a Amsterdã (Holanda), primeira cidade que recebe a “Jovem Negro Vivo pelo Mundo”, uma série de encontros com ativistas, jornalistas e autoridades em quatro países da Europa. A iniciativa, organizada pela Anistia Internacional tem como objetivo chamar a atenção para a urgência de medidas concretas para acabar com os homicídios praticados pela polícia e para a necessidade de um debate amplo sobre o alto número de homicídios de jovens negros no Brasil.

Haia

Na quinta-feira (12), Terezinha, Ana Paula e representantes da Anistia Internacional se reuniram no Ministério das Relações Exteriores da Holanda, em Haia, com Matthijs A. Schröeder, coordenador de políticas para América Latina e Caribe, e Niels van Wageningen, assessor de políticas do mesmo setor. Na reunião, Renata Neder, assessora de direitos humanos da Anistia Internacional no Brasil, apresentou os dados do relatório “Você matou meu filho! – Homicídios cometidos pela Polícia Militar no Rio de Janeiro”. Em seguida, Terezinha e Ana Paula relataram os detalhes dos assassinatos de seus filhos Eduardo e Johnatha e compartilharam suas histórias de dor e luta por justiça, vividas por muitas outras mães brasileiras. As autoridades presentes na reunião ouviram atentamente os relatos e se comprometeram a abordar a questão dos chocantes índices de assassinatos de jovens negros no Brasil e de homicídios cometidos pela polícia no próximo encontro com altas autoridades brasileiras.

“O governo holandês se mostrou bastante interessado na nossa luta, bastante compadecido com a nossa dor, que é a dor de milhares de mães de todo o Brasil. Estivemos na embaixada brasileira em Haia onde a pessoa que nos recebeu ficou encarregada de levar os nossos questionamentos às autoridades brasileiras. Participamos de um debate com ativistas holandeses e população local. A luta continua!”, disse Ana Paula.

Ainda em Haia, cidade sede do governo holandês e importante centro político internacional, estivemos na Embaixada brasileira. A reunião estava inicialmente agendada com o Ministro Conselheiro mas, infelizmente, este não pôde nos receber devido a imprevistos de última hora. Fomos recebidos então por uma outra representante da Embaixada. Após ouvir os depoimentos das duas mães de jovens assassinados pela polícia e as denúncias e demandas feitas pela Anistia Internacional, a representante da embaixada leu o comunicado formal das autoridades brasileiras que dizia que o governo está em permanente comunicação com a sociedade civil a respeito de temas de direitos humanos através de canais institucionais no país.

“As autoridades brasileiras precisam dar a importância e atenção que este tema merece. O Brasil é o país com o maior número de homicídios no mundo, e uma parcela significativa destes homicídios é cometida por policiais em serviço. Com esta iniciativa internacional, esperamos que a pressão sobre o Brasil seja maior e que haja uma resposta mais satisfatória das autoridades. O tema pede medidas efetivas e urgentes. Nenhuma outra mãe deveria passar pelo que Terezinha, Ana Paula e centenas de outras passam todos os anos” disse Renata Neder.

No fim do dia, após as reuniões com autoridades, as duas mães deram entrevistas para o jornal Nederlands Dagblad.

Mobilizando o público fora de casa

Na sexta-feira (13), Terezinha e Ana Paula visitaram a sede da Anistia Internacional em Amsterdã. A equipe de comunicação da Anista Holanda gravou um vídeo onde as mães relatam os assassinatos de seus filhos por policiais e como permanecem firmes lutando tanto para que os responsáveis sejam julgados quanto para preservar a memória de Eduardo e Johnatha. A gravação foi seguida de uma sessão de fotos. Todo o material será utilizado para mobilização pelos casos como parte da campanha Jovem Negro Vivo na Europa.

No primeiro debate público do tour, as mães participaram de uma mesa sobre segurança pública e megaeventos esportivos no Teatro Muganga, no centro de Amsterdã. Na programação estavam também Renata Neder, assessora de direitos humanos da Anistia Internacional Brasil que falou sobre os impactos da Copa do Mundo 2014 e os riscos de violações de direitos humanos nas Olimpíadas 2016, e, da Anistia Internacional Holanda, Henk Hulshof, coordenador do programa de megaeventos esportivos, e Jan Willelm Dol, coordenador de campanhas.

Durante toda a estadia da equipe no país, contamos com o apoio de Nop Duys, coordenador voluntário de ativismo para o Brasil da Anistia Internacional na Holanda.

Assim, termina este primeiro capítulo da iniciativa “Jovem Negro Vivo pelo Mundo”.

“Agora vamos para Londres, em mais uma batalha. Quero dizer para as autoridades brasileiras que a gente não vai se calar”, afirmou Terezinha ao sair de Amsterdã rumo à capital inglesa.

Acompanhe a viagem

Não perca a cobertura da #JovemNegroVivoPeloMundo nos perfis oficiais da Anistia Internacional no Facebook, Twitter e Instagram.

A página Quebrando o Tabu, com mais de dois milhões de seguidores no Facebook, iniciou esta semana uma série de posts em apoio à campanha “Diga Não À Execução”. Não deixe de apoiar Terezinha, Ana Paula e de todas as mães que lutam por justiça para seus filhos assinando e compartilhando a petição agora.

Bruno F. Duarte
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