O que você sabe sobre as caravanas de migrantes e refugiados que seguem em direção aos Estados Unidos?

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Publicado originalmente em espanhol.

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Grupos de familiares, jovens e crianças pequenas, fugindo da violência, da pobreza e da perseguição na América Central não são um fenômeno novo. Por muitos anos, muitas pessoas deixaram Honduras, El Salvador, Guatemala e outros países fugindo em direção aos Estados Unidos.

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Elas se reúnem em grupos para realizar uma viagem perigosa e exaustiva pelo México. Alguns viajam com seus filhos e muitos buscam proteção como refugiados nos Estados Unidos ou no México.

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No entanto, o clima em relação aos migrantes e refugiados se deteriorou bruscamente sob o governo Trump, que separou crianças de seus pais e mães solicitantes de asilo, ameaçou fechar a fronteira sul para pessoas centro-americanas e propôs pagar milhões de dólares ao governo mexicano para expulsar migrantes ilegais, entre outras políticas hostis.

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Quando esses recentes deslocamentos de pessoas começaram?

A BBC informou que em 12 de outubro de 2018, cerca de 160 pessoas se reuniram em uma estação de ônibus na cidade hondurenha de San Pedro Sula para uma longa jornada para o norte – uma viagem que eles planejavam há mais de um mês.

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Quando o grupo finalmente começou, na madrugada de 13 de outubro, pelo menos outras mil pessoas se juntaram. O grupo continuou a aumentar e entrou no México no dia 19 de outubro. Desde então, muitos outros grupos o seguiram.

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Quão grandes são esses grupos?

As estimativas variam consideravelmente, pois há pessoas que voltam para suas casas enquanto outras se juntam a grupos existentes ou formam novos grupos.

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É difícil calcular o tamanho total das caravanas que atualmente atravessam o México para o norte. De acordo com estimativas da Anistia Internacional, em 12 de novembro e com base em declarações oficiais, informações de municípios, organizações internacionais e sociedade civil internacional, o número total de pessoas formando caravanas está entre 8.000 e 10.000.

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Organizações internacionais especializadas em direitos da criança calcularam que pelo menos uma em cada quatro pessoas na primeira caravana que entrou no México era criança.

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Muitos migrantes e refugiados escolheram formar caravanas, em vez de atravessar o México individualmente, porque temem sequestros por traficantes, tornarem-se vítima do crime ou dos cartéis de drogas, ou ainda de serem abusados pela polícia ou pelo exército.

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O que levou as pessoas a embarcar nessa jornada dolorosa?

Essas caravanas são compostas de pessoas que, por diferentes razões, foram forçadas a deixar suas casas e suas famílias. São pessoas que fogem em busca de um lugar mais seguro para se viver: estudantes, pequenos empresários, mulheres e homens que trabalham como padeiros, motoristas de ônibus, vendedores de jornal ou garçons, pais com filhos e filhas jovens.

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Muitos tomam a decisão devastadora de sair em vez de viver com o terrível medo de ser a próxima vítima da violência. Honduras, por exemplo, tem uma das maiores taxas de homicídios da América Latina e do mundo – 800% maior que a dos Estados Unidos.

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Outros vão depois de serem ameaçados de morte por se recusar a pagar a extorsão para gangues violentas, conhecidas como “maras”, que controlam o território e recursos em países como El Salvador e Honduras. Nesses países pequenos, quase do tamanho dos estados de Nova Jersey e Arizona, respectivamente, é especialmente difícil escapar do controle das gangues.

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A ausência de proteção do governo, pobreza e precariedade são outros fatores que levam as pessoas à abandonarem seus lares.

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Como estão as condições das pessoas durante a viagem?

Andando na estrada, pegando ônibus ou pegando carona em um caminhão, os centro-americanos enfrentam uma dolorosa jornada de várias semanas e centenas de quilômetros para chegar aos Estados Unidos.

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Na corrida para seguir viagem, várias pessoas escorregaram dos veículos que haviam escalado e foram atropeladas, apontam relatórios. Em vários momentos, elas também enfrentaram gás lacrimogêneo das forças de segurança e ameaças de deportação pelos governos regionais. Alguns foram devolvidos aos seus países contra a sua vontade, muitas vezes em violação do direito internacional.

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Queimaduras solares, desidratação e falta de água potável e saneamento são riscos constantes. Um estádio de esportes na Cidade do México ofereceu um apoio para milhares de pessoas, muitos têm procurado tratamento para bolhas, infecções respiratórias, diarreia e outras doenças.

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As difíceis condições levaram algumas das comunidades mais pobres do México a tomarem ações inspiradoras, como abrir suas portas para migrantes e refugiados, oferecendo abrigo, tratamento médico e doações. Na Cidade do México, centenas de funcionários municipais e voluntários lhes deram comida, água, fraldas e outros produtos básicos.

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Verdade ou ficção: o que você precisa saber sobre a caravana que atravessa o México a caminho dos EUA

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