Teodora Vásquez, de El Salvador, ganha prêmio internacional em direitos humanos

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12 de novembro de 2018 Defensores de direitos humanos Mulheres
Teodora Vásquez. Foto: Amnesty International

Teodora deu à luz uma criança natimorta, foi acusada de aborto e condenada a 30 anos de prisão por homicídio. Depois de dez anos ela foi libertada. Apesar do perigo que representava, ela está lutando por outras mulheres que se encontram na mesma situação e por uma mudança nas leis de aborto.

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Teodora Vásquez lutou de dentro da prisão e continua lutando após a sua libertação. A ela foi concedido, através do Forum de História Viva, o prêmio Per Anger desse ano – premiação internacional promovida pelo governo sueco pelo apoio aos direitos humanos e democracia.

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“O que me motiva é libertar outras mulheres presas. O Per Anger Prize é um símbolo da luta pelos direitos das mulheres”, diz Teodora del Carmen Vásquez.

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Por muitos anos, a Anistia Internacional tem trabalhado para revogar a proibição do aborto em El Salvador e pela libertação de Teodora. Em 2015, ela foi uma das dez pessoas cujos casos foram incluídos na campanha global da Anistia Internacional “Escreva por Direitos” e mais de 230 mil pessoas em todo o mundo pediram por sua liberdade.

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Em El Salvador, o aborto é totalmente proibido. A proibição não reduz o número de abortos, mas leva milhares de mulheres e meninas a realizarem abortos ilegais e inseguros, que afetam desproporcionalmente mulheres jovens e pobres. As mulheres que tiveram abortos espontâneos ou complicações obstétricas enfrentam riscos reais de serem presas. Atulamente, pelo menos 25 mulheres estão cumprindo pena de prisão por assassinato após complicações obstétricas.

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Para enfatizar o impacto devastador das leis de aborto restritivas nas vidas de mulheres em El Salvador, foi concedido a Teodora del Carmen Vásquez, nomeada pela seção sueca da Anistia Internacional, o Per Anger 2018 Prize, do Fórum de História Viva em nome do governo sueco.

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“Teodora del Carmen Vasquez é uma mulher corajosa e tem um compromisso admirável. Apesar dos riscos, ele continuou a luta pelos direitos das mulheres e, especialmente, os direitos das mulheres que permanecem na prisão. Sua luta para que mulheres possam decidir sobre seus próprios corpos é uma verdadeira inspiração por toda a região das Américas, onde vários países têm leis sobre o aborto altamente restritivas”, disse Anna Lindenfors, diretora da Anistia Internacional Suécia.

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“Durante o tempo que passei na prisão, pagando o preço por algo que não fiz, eu sofri muito. Eu sou um reflexo do sofrimento de mulheres e meninas em El Salvador. Como mulher que viveu essa experiência, eu me comprometo a trabalhar por outras mulheres, especialmente nas áreas rurais e da região de onde sou. Meu compromisso é conversar com o meu povo no lugar onde eu vivo e falar sobre as realidades, aqui em El Salvador. Precisamos nos ajudar mutuamente para que outras mulheres e meninas não sofram da mesma forma que nós, As 17, sofreremos”, disse Teodora del Carmen Vásquez.

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Teodora del Carmen Vásquez recebeu o Prêmio Per Anger no dia 8 de novembro em uma cerimônia na Gota Lejon Theater em Estocolmo.

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Quem é Teodora

A vencedora do Prêmio nasceu em 1983 na região de Ahuachapán, em El Salvador. Durante anos, Teodora del Carmen Vasquez foi uma porta-voz informal para As 17 de dentro da prisão. Sua história começou em julho de 2007. Um dia, ela foi brutalmente atacada por homens desconhecidos na rua, que bateram em seu estômago. Poucos dias depois ela sofreu uma emergência obstétrica enquanto trabalhava. Ele pediu ajuda, mas a ambulância nunca chegou. Em vez disso, a polícia chegou e a deteve. Em 2008, ele foi condenado a 30 anos de prisão por “homicídio agravado”, depois de um julgamento que não tinha o devido processo. Sua família não possuía os recursos necessários para pagar por uma defesa legal efetiva.

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Em fevereiro de 2018, após mais de 10 anos de prisão, sua pena foi comutada e ela foi libertada. A comutação foi concedida “por razões de justiça e equidade”, salientando as injustiças ocorridas no processo da condenada. Hoje, ela é uma ativista conhecida por lutar pelos direitos das mulheres em seu país, trabalhando com organizações como a Anistia Internacional para mudar as leis de aborto e apoiar outras mulheres na prisão.

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