Rio 2016: Operações policiais violentas e com mortes são o legado para a segurança pública

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22 de agosto de 2016 Segurança pública Violência policial
Força Nacional em operação no Complexo de favelas da Maré. (Foto: Vladimir Platonow/ Agência Brasil)

Atualizado em 23.08.2016

O legado dos Jogos Olímpicos Rio 2016 foi prejudicado pelo registro de pelo menos oito pessoas mortas em operações policiais na cidade durante os Jogos e protestos pacíficos fortemente reprimidos, afirma a Anistia Internacional.

“O Brasil perdeu a medalha mais importante em jogo durante a Rio 2016: a chance de se tornar um campeão em direitos humanos”, disse Atila Roque, diretor executivo da Anistia Internacional Brasil.

“As autoridades brasileiras perderam uma oportunidade de ouro de cumprir suas promessas e implementar políticas de segurança pública que possam fazer do Rio uma cidade segura para todos. A única maneira de desfazer alguns dos muitos erros que ocorreram durante os jogos é garantir todos os homicídios cometidos pela polícia e outras violações de direitos humanos sejam efetivamente investigadas e que os responsáveis sejam levados à justiça. “

Em 2016, homicídios cometidos pela polícia no Rio aumentaram mês a mês, enquanto a cidade se preparava para receber o mega evento esportivo.

Segundo o Instituto de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro, este ano, a polícia foi responsável pela morte de 35 pessoas em abril, 40 em maio e 49 em junho – mais de uma por dia. Os números apontam para um aumento de 103% no número de pessoas mortas pela polícia na cidade em relação ao mesmo período do ano passado

Operações policiais violentas foram realizadas durante todo o período dos jogos em diversas áreas do Rio de Janeiro, incluindo Acari, Cidade de Deus, Borel, Manguinhos, Alemão, Maré, Del Castilho e Cantagalo.

Pelo menos oito pessoas foram mortas durante operações policiais (três em Del Castilho, quatro na Maré e uma em Cantagalo); nas favelas do Acari e Manguinhos, também há informações sobre mortos durante operações.

Moradores dessas áreas também relataram outras violações de direitos humanos, tais como invasões de domicílio, ameaças diretas e agressões físicas e verbais por parte da polícia.

Assine a petição “Rio 2016: a violência não faz parte desse jogo!

A lógica da guerra e as operações de segurança fortemente armadas também estão colocando os agentes públicos em risco. Pelo menos dois policiais foram mortos nos primeiros dez dias da realização dos jogos.

Durante os Jogos Olímpicos (5-21 agosto), 92 tiroteios armados foram registrados na região metropolitana do Rio de Janeiro, uma média de 5,75 por dia (superior ao registrado na semana anterior aos jogos, com média de 4,5 – 32 no total). No mesmo período, pelo menos 31 pessoas foram mortas e outras 51 ficaram feridas devido à violência armada, de acordo com dados do aplicativo Fogo Cruzado, da Anistia Internacional.

Manifestantes foram duramente reprimidos pela polícia dentro e fora das arenas esportivas. Manifestações públicas pacíficas que ocorreram no Rio de Janeiro, nos dias 5 e 12 de agosto, foram reprimidas com uso excessivo da força, incluindo armas menos letais, como gás lacrimogêneo e de choque. Várias pessoas foram detidas. Pessoas que carregavam faixas ou vestiam blusas de protesto foram removidas de áreas de competição, não sendo permitido o exercício do direito pleno à liberdade de expressão.

Em São Paulo, protesto realizado no dia da abertura dos jogos foi fortemente reprimido pela polícia e resultou em mais de 100 detenções, incluindo pelo menos 15 menores de idade.

“Terminamos os Jogos Olímpicos com uma política de segurança pública ainda mais militarizada, focada em uma repressão muito seletiva, uso excessivo da força e da lógica de guerra, com operações policiais em favelas, aumentando as mortes e violações de direitos humanos dos moradores, principalmente dos jovens negros”, afirma o diretor executivo da Anistia Internacional Brasil.

“Mais uma vez, o legado de um grande evento esportivo no Brasil foi maculado por mortes em operações policiais e abusos contra manifestantes pacíficos. O Comitê Olímpico Internacional e outros organismos desportivos não podem continuar a permitir que estes eventos sejam realizados às custas dos direitos humanos”, finaliza Roque.

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