Quem matou Marielle: organização renova pressão sobre as autoridades responsáveis para que o caso seja solucionado

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15 de maio de 2018 Segurança pública Mulheres

Dois meses após o assassinato da defensora de direitos humanos e vereadora Marielle Franco e seu motorista Anderson Gomes, a Anistia Internacional vem a público renovar cobrança por respostas sobre quem matou Marielle e Anderson no Rio de Janeiro no dia 14 de março deste ano.

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“A cada dia que se passa as chances de que um caso de homicídio seja resolvido diminui. Não podemos deixar que o assassinato de Marielle fique sem resposta porque a impunidade alimenta o ciclo de violência. É muito importante que a mobilização das pessoas seja cada vez maior. Isso é fundamental para a resolução deste caso”, disse Jurema Werneck, diretora executiva da Anistia Internacional Brasil.

“Acreditamos na seriedade do trabalho que tem sido feito na investigação, e esperamos que isso permaneça até obtermos uma resposta concreta. Não é uma resposta para família somente, mas para o mundo inteiro. E a luta tem que continuar”, afirma Marinete da Silva, mãe de Marielle.

“Sem pressão, não haverá solução. A mobilização das pessoas foi fundamental para que o mundo tomasse conhecimento da execução de Marielle, que chocou a todos e ainda causa dor todos os dias. Mas precisamos continuar cobrando os responsáveis pela investigação do crime. Quem matou e quem mandou matar Marielle Franco? Estas perguntas não podem ficar sem respostas”, defende a diretora-executiva da Anistia Internacional.

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Ação Urgente por Marielle e Anderson

Marielle era defensora de direitos humanos, ativista dos movimentos LGBTI e das favelas, negra e bissexual. Aqueles que matam defensores de direitos humanos querem silenciar sua voz, desmobilizar sua luta e gerar um processo mais amplo de medo e silenciamento. Deixar o homicídio de uma defensora de direitos humanos sem resposta é abrir a porta para outros episódios de violência contra outros defensores e defensoras de direitos humanos, ativistas e lideranças comunitárias.

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“Enquanto tivermos forças iremos exigir justiça ocupando as ruas e espaços públicos. Minha irmã era resistência, e é assim que iremos até o final”, coloca Anielle, irmã da vereadora assassinada Marielle Franco.

 

“Ela era destemida. Ela nunca se escondeu. Ia de cara limpa e na frente. Ela era muito raçuda e corajosa. Quem a matou fez o oposto. Não colocaram a cara. Se esconderam. São 60 dias de um vazio sem fim”, afirma o pai de Marielle, AntonioFrancisco da Silva Neto.

 

“Temos nos mobilizado para que as autoridades não deixem de dar a resposta que toda sociedade, não apenas no Brasil, mas em todo mundo precisa: Quem matou e quem mandou matar Marielle Franco? Não descansaremos até que este assassinato seja esclarecido. Convocamos todas as pessoas a assinar nossa ação-urgente pedindo uma investigação imediata, completa, imparcial e independente sobre o caso”, aponta a diretora-executiva da Anistia Internacional.

“No mês passado, pressionamos as autoridades responsáveis pelo Twitter e a hashtag #MarielleFranco chegou a ficar em 3º lugar dos tópicos mais comentados no Brasil. Agora é fundamental que todos assinem a ação-urgente. E para as mais de 12 000 pessoas que já assinaram a ação: compartilhe o link com seus amigos e familiares para que a mobilização se torne ainda maior. ”, conclui Jurema Werneck.

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Histórico 

Eleita vereadora do Rio de Janeiro em 2016, Marielle era conhecida por defender os direitos das mulheres, com um foco particular na luta das mulheres negras, bem como pelos direitos LGBTI, e por denunciar abusos da polícia e execuções extrajudiciais, principalmente nas favelas. Dias antes de seu assassinato, ela foi nomeada relatora da comissão criada na Câmara de Vereadores para monitorar a intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro.

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Marielle e seu motorista Anderson, foram mortos a tiros no bairro da Estácio, no Rio de Janeiro, após ela participar de um debate público na noite de 14 de março de 2018. Pelo menos 13 tiros foram disparados, quatro deles atingiram Marielle na cabeça. As características dos disparos e as informações já divulgadas sobre a dinâmica do fato indicam que este foi um assassinato cuidadosamente planejado, realizado por pessoas com treinamento.

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