Nota pública: Ações violentas da Polícia Militar no Rio de Janeiro revelam descontrole absoluto e resultam em dezenas de mortes nos primeiros meses do ano

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31 de março de 2017 Violência policial
diga não à execução

 

Os primeiros meses do ano foram marcados por incursões frequentes e violentas da polícia em favelas do Rio de Janeiro. Em janeiro e fevereiro, foram 182 casos de homicídios decorrentes de intervenção policial no estado, um aumento de 78% em relação ao mesmo período do ano anterior. O número de pessoas mortas em operações policiais tem aumentado a cada ano desde 2014, quando 580 pessoas foram mortas em operações policiais e alcançando um número absurdo de 920 mortes em 2016. Os dados dos primeiros meses de 2017 são muito preocupantes porque revelam a consolidação da tendência de aumento da violência letal da polícia.

Os assassinatos, pela polícia, de filhos, maridos, vizinhos e amigos têm sido uma realidade cotidiana de centenas de milhares de pessoas, moradores de favelas e periferias. Isso é inaceitável!

A Anistia Internacional documenta e denuncia há anos a alta letalidade da polícia no Rio de Janeiro. Em seu relatório “Você matou meu filho”, lançado em 2015, a  organização revelou que a prática de execuções extrajudiciais é o padrão nos casos de homicídios em operações policiais, apesar dos policiais alegarem que agem em legítima defesa.

Apesar dos dados oficiais que indicam o aumento progressivo dos casos de homicídios em operações policiais e das inúmeras denúncias de casos de execuções feitas por organizações de direitos humanos, pesquisadores do campo da segurança pública e lideranças comunitárias, nada têm sido feito por parte das autoridades estaduais para reduzir a violência nas operações policiais e acabar com as execuções.

“As autoridades estaduais têm pleno conhecimento das graves violações de direitos humanos cometidas pela polícia no Rio de Janeiro e nada fazem a respeito disso. A Polícia Militar insiste em operações de confronto motivadas pela guerra às drogas, a Polícia Civil não investiga as mortes, e o Ministério Público não exerce seu papel constitucional de controle externo da atividade policial. As autoridades são responsáveis por essas mortes e sua omissão alimenta o ciclo de violência policial“ afirma Renata Neder, assessora de direitos humanos da Anistia Internacional

A Anistia Internacional reivindica que as autoridades estaduais repensem imediatamente qualquer nova operação policial para que nenhuma outra morte aconteça e que os casos de homicídios decorrentes de intervenção policial sejam imediatamente investigados e responsabilizados.

 

31 de março de 2017 Violência policial

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