Falhas do governo estão alimentando queimadas na Amazônia, diz Anistia Internacional

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23 de agosto de 2019 Terra Indígenas e populações tradicionais
Limite do território Uru-Eu-Wau-Wau no estado de Rondônia, Brasil. © Gabriel Uchida

Há mais de duas semanas, o fogo consome partes do maior pulmão verde do planeta com impactos ainda por calcular. Reagindo às notícias dos incêndios que estão ocorrendo na Floresta Amazônica, Kumi Naidoo, Secretário Geral da Anistia Internacional, diz:

“A responsabilidade de acabar com os incêndios que estão ocorrendo na Floresta Amazônica há várias semanas está diretamente ligada ao presidente Bolsonaro e seu governo. Eles devem mudar sua desastrosa política de permitir a destruição da floresta, que é o que pavimentou o caminho para esta crise atual”, afirma Kumi Naidoo.

No início deste ano, a Anistia Internacional documentou invasões ilegais de terras, e ataques incendiários perto de territórios indígenas na Amazônia, incluindo o estado de Rondônia, onde muitas dessas queimadas estão ocorrendo.

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A área desmatada nos territórios visitados pelos pesquisadores do Programa de Crises e Meio Ambiente da Anistia duplicou este ano em comparação com o mesmo período de 2018, devido a invasores ilegais que estão derrubando árvores, iniciando incêndios florestais e atacando comunidades indígenas que vivem lá.

Apesar disso, o presidente Bolsonaro tem procurado, deliberadamente, enfraquecer a proteção da floresta e minar os direitos dos povos indígenas que vivem lá.

“Agora que a cidade de São Paulo, a milhares de quilômetros da Amazônia, foi tomada por uma escuridão provocada pela fumaça resultante das queimadas, o presidente tentou difamar as ONGs com a calúnia de que iniciaram os incêndios.

“Em vez de espalhar mentiras ultrajantes ou negar a escala do desmatamento, cobramos do presidente a tomada de medidas imediatas para deter o progresso desses incêndios. Isso é essencial para proteger o direito das pessoas a um ambiente saudável, bem como seu direito à saúde, devido ao impacto sobre a qualidade do ar em vastas áreas do Brasil e dos países vizinhos”.

Chamado ao ativismo!

Kumi também destaca a importância do ativismo global para este momento: “E para o resto do mundo, perguntando-se o que podem fazer para proteger a Amazônia, demandar a proteção dos direitos humanos dos povos indígenas é fundamental para evitar mais desmatamento.

“Devemos nos unir às comunidades e líderes indígenas em toda a região amazônica – do Brasil ao Equador, e além. Para eles, a Amazônia é mais do que os pulmões do mundo, é sua casa”.

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