Derrube o muro: ação no Rio de Janeiro propõe sensibilizar público sobre violações de direitos de migrantes na fronteira com EUA

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28 de maio de 2019 Política internacional Migrantes
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A Anistia Internacional lança nesta quarta-feira, 29 de maio, a partir das 9h, a ação “Derrube o Muro” no Largo da Carioca, Centro do Rio, para chamar atenção para as violações de direitos decorrentes das políticas migratórias implementadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Durante todo o dia, quem passar pela entrada do metrô da Carioca poderá interagir com um muro montado onde estarão sobrepostas informações sobre o tratamento dispensado por Trump a milhares de pessoas que fogem de seus países de origem em buscam segurança em território norte-americano. As medidas, que violam tanto as leis internacionais quanto as dos EUA, incluem separação e detenção de famílias, rejeições e retornos ilegais de pessoas em risco na fronteira e detenção arbitrária e indefinida.

>> Acesse ao site interativo e derrube o muro!

Ao participar da ação, as pessoas serão convidadas a derrubar o muro de violações e conhecer as situações de vulnerabilidades enfrentadas por estas pessoas na fronteira dos EUA, como detenção arbitrária e separação de famílias. Além da ação física no Largo da Carioca, a Anistia Internacional lança, no mesmo dia, o site derrubeomuro.org.br, onde os internautas poderão conhecer mais sobre as violações de direitos, histórias de pessoas impactadas pelas mesmas e de pessoas beneficiadas pelo trabalho da organização, além de poderem enviar mensagens de solidariedade aos migrantes e refugiados.

“Desde a eleição do presidente Trump, ele tem afirmado publicamente que irá construir um muro ao longo da fronteira dos Estados Unidos com o México. Ao mesmo tempo, seu governo vem implementando um muro metafórico, tendo como base uma série de políticas de imigração que violam direitos e causam danos irreparáveis a milhares de pessoas em risco que buscam sobreviver em segurança nos Estados Unidos além dos discursos discriminatórios que incitam a população contra migrantes e refugiados. Quando a vida das pessoas, sobretudo de crianças, está em risco, é necessário que as autoridades não perguntem: de onde você veio? Mas assumam o dever de protege-las.”, pontua Jurema Werneck, diretora executiva da Anistia Internacional no Brasil.

 De acordo com a legislação internacional, qualquer pessoa que chegue em território norte-americano ou pretenda entrar nos EUA para reivindicar asilo deve ter permissão para fazê-lo e ter seu caso ouvido pelas autoridades.

“A proibição da entrada de pessoas que buscam proteção e o retorno forçado destas pessoas aos locais perigosos de onde fugiram, além da separação de famílias e detenção de crianças são medidas cruéis, desumanas e que violam os direitos à segurança, à educação e à saúde. Por isso, convidamos as pessoas a interagirem com nosso muro, seja no Largo da Carioca, na próxima quarta-feira, seja no site derrubeomuro.org.br, conclui Werneck.

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Conheça algumas histórias

Suyapa, saiu de Honduras após ser ameaçada por membros de redes criminosas. Eles extorquiram seu pequeno negócio de alimentos, exigindo todos os seus ganhos semanais, e forçaram seu filho mais velho a se juntar ao grupo.

Gloria e sua filha, Devora, fugiram de Honduras depois que Gloria sofreu anos de abuso sexual do pai de Devora – que a violentou tão brutalmente que ela precisou passar por uma cirurgia ginecológica. Gloria e Devora foram separadas por 53 dias nos EUA antes de se reunirem atrás das grades em um centro de detenção em Dilley, Texas.

Alejandra, de 43 anos, é uma das centenas de pessoas detidas arbitrariamente por requer proteção e asilo nos EUA. Depois de sofrer anos de ameaças e ataques, por conta da sua identidade transgênero, Alejandra fugiu de El Salvador e pediu asilo nos Estados Unidos. Mas, em vez de ser acolhida e de ganhar uma chance de reconstruir sua vida em liberdade, o governo dos EUA a tem mantido detida desde o final de 2017, e negou seu pedido de liberdade condicional enquanto aguarda a decisão de um juiz de imigração em seu caso de asilo. A Anistia Internacional continua mobilizando para sua liberdade.

Sadat pediu asilo na fronteira EUA-México, depois de sofrer ataques homofóbicos em Gana e ter sua casa incendiada por um grupo de milícias de seu país. Depois de passar dois anos e meio detido no centro de detenção no Texas, e sofrendo várias tentativas de ser deportado à força para Gana, onde sua vida estava em perigo, ele finalmente foi colocado em liberdade condicional em 25 de julho de 2018.

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