Anistia Internacional leva caixão ao Ministério da Justiça em ato pelo fim dos assassinatos de jovens negros

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6 de dezembro de 2017 Segurança pública Violência policial
Jurema Werneck, Diretora Executiva da Anistia Internacional Brasil, junto a 5 jovens das cinco regiões do Brasil, na ação de entrega do manifesto Jovem Negro Vivo ao Ministério da Justiça, em Brasília.

Após três anos do lançamento da campanha Jovem Negro Vivo, a Anistia Internacional e um grupo de jovens negros ativistas entregaram para o Ministério da Justiça, a Presidência do Senado, Presidência da Câmara e na Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial nesta quarta-feira, 06 de dezembro, mais de 60 mil assinaturas do manifesto da campanha em uma ação realizada em frente ao Ministério da Justiça em Brasília. O manifesto pede um plano nacional de redução de homicídios com foco na proteção de jovens negros e políticas afirmativas para a promoção de direitos entre a juventude negra. A ação apresentou cinco ativistas das cinco regiões brasileiras em uma performance com símbolos da juventude, representando ao mesmo tempo a indignação pelas altíssimas taxas de homicídios enfrentadas pela população negra no Brasil, e a força da juventude viva negra e potente que luta, se mobiliza e resiste.

Os jovens retiraram de um caixão objetos como bolas, skates, cadernos, fones de ouvido e tênis que trazem referências ao Jovem Negro Vivo no Brasil e realizaram um ato-performance onde expuseram políticas públicas que gostariam de ver sendo implementadas na prática pelas autoridades tanto na área de segurança pública quanto nas áreas de saúde, educação, moradia e outros direitos violados diariamente na vida da juventude negra no Brasil.

A Diretora Executiva da Anistia Internacional, Jurema Werneck esteve no ato ao lado dos jovens que conversaram com a imprensa e participaram do momento de entrega simbólica do manifesto Jovem Negro Vivo.

“É muito importante que jovens como a Antonella, o Joel, o Alejandro, a Blenda e o Bruno, vindos cada um de uma das regiões de um país continental como o nosso, possam apresentar suas reivindicações ao Estado Brasileiro. As autoridades brasileiras, o Ministério da Justiça e as forças de segurança pública precisam adotar medidas urgentes para reduzir as taxas de homicídios de jovens negros no país e para combater o racismo estrutural na sociedade e dentro das instituições públicas. A vida dos jovens negros não pode estar à mercê de vontades políticas individuais. Uma política de redução de homicídios e de proteção da vida da juventude negra deve ser uma política de Estado, e é urgente. A vida dos jovens não pode esperar. ” pontuou Jurema Werneck.

Durante a ação, uma série de recomendações foram feitas pelos jovens que pediram ações como o fim da violência policial e dos chamados ‘autos de resistência’, melhor qualificação dos agentes de segurança para garantir uma segurança pública mais cidadã, políticas para o enfrentamento ao racismo estrutural e institucional e a implantação do ensino de Direitos Humanos nas escolas no ensino básico, fundamental e médio.

Para o jovem Joel Luiz, advogado criminal e morador do Jacarezinho, na cidade do Rio de Janeiro:

“É preciso que o Ministério Público realize ações preventivas em favelas com alto índice de violência. Para além disso é urgente a desconstrução da criminalização da periferia justificada sob o argumento da chamada “guerra às drogas”. Deve haver estabelecimento de critérios para que incursões policiais considerem o cotidiano das pessoas e preservem a segurança e a vida dos moradores.”, indica o ativista da Anistia Internacional presente em Brasília.

Essa ação marca o encerramento desta fase da campanha Jovem Negro Vivo, com a entrega de mais de 60 mil assinaturas do Manifesto recolhidas desde o lançamento da campanha em novembro de 2014. A campanha ajudou a colocar os homicídios de jovens negros no centro do debate público sobre segurança no Brasil e em outros países país, estimulando a discussão tanto nacional quanto internacionalmente. O Manifesto Jovem Negro Vivo pede um plano nacional de redução de homicídios, com foco na proteção da juventude negra, e políticas afirmativas para a promoção de direitos entre os jovens.

“Essa visibilidade é fruto de muito esforço do movimento negro, que luta há décadas para explicitar o racismo estrutural presente na sociedade brasileira. A campanha Jovem Negro Vivo lançada pela Anistia Internacional em 2014 é um reflexo deste reconhecimento. O lançamento da campanha Vidas Negras, pela Organização das Nações Unidas vem somar ao longo trabalho que realizamos nestes últimos anos, mobilizando coletivos, grupos de jovens e mães de vítimas da violência, e fazendo com que haja um reconhecimento de que a violência é desigual, e quem sofre mais com isso são os jovens negros do sexo masculino. A sociedade está cada vez mais mobilizada e pronta para exigir a garantia da vida da população negra”, afirma Jurema Werneck, Diretora Executiva da Anistia Internacional Brasil.

Os jovens ativistas presentes no ato apontaram ainda recomendações no sentido da preservação da vida das mulheres negras cujas taxas de homicídio aumentam anualmente, enquanto a taxa para as mulheres brancas vem diminuindo. Para a jovem ativista da Anistia Internacional Antonella Mondadori, advogada e militante do movimento negro “É fundamental expandir e fomentar redes de proteção à mulher negra, de forma que haja um preparo dos agentes públicos para agir corretamente diante dos casos de violência e que sejam levados em consideração todos os corpos que se consideram femininos a fim de justificar políticas públicas para a redução destes homicídios”, conclui Antonella.

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Assista como foi a ação de entrega das assinaturas Jovem Negro Vivo ao Ministério da Justiça, em Brasília.

6 de dezembro de 2017 Segurança pública Violência policial

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