18 meses sem Marielle: Anistia e familiares renovam cobrança por resposta às autoridades

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12 de setembro de 2019 Memória, Verdade e Justiça Defensores de direitos humanos Mulheres LGBTI
Antônio Francisco, Jurema Werneck e Marinete Silva em coletiva de imprensa/ 
 Grégor Daflon

Seis meses após a prisão de dois acusados de matarem a defensora de direitos humanos Marielle Franco e seu motorista, Anderson Gomes, a Anistia Internacional apresentou publicamente, em coletiva de imprensa realizada na manhã desta quinta-feira, 12 de setembro, ofícios enviados ao governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, e ao procurador-geral de justiça do Estado, Dr. José Eduardo Gussem, em que cobra informações atualizadas sobre os inquéritos policiais e outras ações investigativas em curso para identificar os mandantes e as motivações do crime:

 Passado este tempo, as respostas seguem sendo aguardadas. Estamos aqui, como estivemos todos esses dias desde 14 de março de 2018, para dizer que não vamos parar até que o governador, o procurador, todas as autoridades responsáveis, nos tragam provas suficientes sobre quem mandou matar Marielle, e por quê”, afirmou Jurema Werneck, diretora executiva da Anistia Internacional, que completou:

A morosidade não é resposta. O silencio não é resposta”.

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Pressione as autoridades: assine a petição perguntando quem mandou matar Marielle e por quê

Confira o release compartilhado com a imprensa

 Ao lado de Jurema, estiveram a mãe de Marielle Franco, Marinete Silva, e o pai da defensora, Antônio Francisco. Também há seis meses, Witzel e Gussem se reuniram com a Anistia Internacional e familiares de Marielle, ocasiões em que se comprometeram com o emprego de todos os esforços e recursos para a completa solução do caso. No próximo sábado, dia 14 de março, completam-se 18 meses, ou um ano e meio, desde os assassinatos de Marielle e Anderson.

 Hoje são 538 dias e, desde o primeiro, a pergunta é essa: quem mandou matar e por quê? Se os assassinos e os mandantes não forem condenados, será uma decepção muito grande para nós, para a sociedade no Brasil e no mundo também. É inadmissível que uma defensora de direitos humanos seja morta e, com toda a tecnologia que temos, não se chegue a essas respostas. Enquanto não chegarmos, não vamos parar”, afirmou Sr. Antônio.

 Dona Marinete enfatizou o apelo às autoridades:

São vários meses e a nossa luta continua. Precisamos saber quem mandou matar Marielle e por quê. Que as autoridades tenham mais clareza para elucidar o crime contra milha filha. São várias falhas até agora e ainda não temos resposta”.

 Marielle Franco era uma mulher negra, bissexual e moradora de favela. Aguerrida defensora dos direitos humanos, trabalhou incansavelmente para defender a dignidade das pessoas, principalmente das mais marginalizadas. Atuou por mais de dez anos como militante política e coordenadora da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, onde  auxiliou dezenas de vítimas, incluindo policiais e seus familiares. Foi também relatora da comissão que fiscalizou a intervenção federal do Exército no Rio de Janeiro em 2018.

 A mensagem que está sendo dada com esta morosidade é que pessoas que lutam por direitos e dignidade podem ser assassinadas. As mortes de Marielle e Anderson devem ser um ponto de virada para as autoridades, que precisam enviar um sinal claro sobre o compromisso com a proteção os defensores de direitos humanos”.

Perguntados pelos jornalistas sobre as tentativas de federalização do caso, os pais de Marielle apresentaram sua posição:

Não faz sentido ir para a esfera federal neste momento”, afirmou Sr. Antônio.

Se federalizar, a gente não sabe na mão de quem vai cair isso. Se tem uma investigação integrada há um ano e seis meses, não tem por que sair do estado onde aconteceu o crime”, complementou Dona Marinete.

Informações adicionais

 A Anistia Internacional faz uma campanha global por justiça para Marielle Franco desde março de 2018. Sua primeira petição, que perguntava quem matou Marielle, recebeu 800 mil assinaturas em todo o mundo. O documento foi entregue ao governador do Rio de Janeiro e ao presidente da República, Jair Bolsonaro, em março de 2019, quando os assassinatos completaram um ano.

 Em abril, diante da prisão dos suspeitos autores materiais do crime, a Anistia Internacional abriu uma nova ação para pressionar as autoridades para que sigam com as investigações até que se chegue à justiça, com todos os envolvidos identificados e levados a julgamento justo. Essa segunda petição já soma mais de 80 mil assinaturas apenas no Brasil.

 No ano passado Marielle Franco foi um dos dez casos incluídos na campanha global da Anistia “Escreva por Direitos”, que incentiva pessoas em todo o mundo a escrever cartas para defensores e defensoras dos direitos humanos e suas famílias. A solidariedade se multiplicou, e o caso de Marielle inspirou a produção de cerca de 30 mil cartas vindas de todo o mundo.

 

12 de setembro de 2019 Memória, Verdade e Justiça Defensores de direitos humanos Mulheres LGBTI

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