Mães faveladas e periféricas sem fronteiras

Débora da Silva
Fundadora das Mães de Maio

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Foi gratificante poder trazer para uma mesa sobre o contexto da violência armada nas Américas dentro do encontro anual da Anistia Internacional dos Estados Unidos a realidade de mães faveladas e das periferias próximo a data em que completam 10 anos do maior massacre que ficou conhecido com os Crimes de Maio, em São Paulo, quando mais de 600 jovens foram assassinados. A minha exposição trouxe uma grande discussão e teve apoio de todos que ali estavam, inclusive com histórias semelhantes de resistência de outros expositores da Venezuela e aqui mesmo dos EUA. Temos que continuar a se organizar e a lutar principalmente nas periferias e favelas onde a ausência de políticas pública é evidente.

Estive junto com vários jovens e pessoas experientes na luta por direitos e ouvi inclusive depoimentos de outras pessoas que têm condições privilegiadas por serem brancas, mas reconhecem seus privilégios e não aceitam a criminalização da população preta.

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Msia Kibona Clark, professora da Howard University, Bruno Duarte, assistente de novas mídias da Anistia Internacional Brasil, Raull Santiago, midiativista do Coletivo Papo Reto, o jornalista angolano Rafael Marques, eu e o rapper Sylvian LaCoe.

Durante a mesa sobre hip hop e ativismo, fui agraciada com a participação do jornalista Rafael Marques, com uma fala sobre os 17 ativistas condenados em Angola pelo simples fato de realizarem uma reunião para debater um livro sobre democracia num país que vive um regime ditatorial. As Mães de Maio receberam dois ativistas do país no ano passado e gravaram um vídeo pedindo que o governo deixasse mães e familiares visitarem os ativistas presos.

Isso só foi possível com apoio de uma organização séria como a Anistia Internacional que vem ao longo dos anos fazendo várias pautas no enfrentamento das violações dos direitos humanos no mundo, de todas as formas, trazendo ativistas com protagonistas de sua própria história.

Esse contato com outros ativistas traz para mim a realidade de um horizonte de luta e de consciência. Temos que continuar a trocar experiências de enfrentamento ao sistema capitalista, onde pobres e negros são duramente excluídos pela branquitude, que é sempre a minoria. O movimento de mães vitimadas pelo braço armado do Estado no Brasil vem a cada ano se multiplicando pelo direito a vida que é o bem maior de um ser humano contra todas as formar de violações dos direitos humanos no mundo.

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Débora da Silva
Fundadora das Mães de Maio

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