Insistir em existir, insistir em resistir: Dia da Visibilidade Lésbica

Thayane Guimarães
Estagiária de Comunicação

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O dia 29 de agosto não é apenas mais uma data qualquer no calendário. É conquista de uma luta constante por respeito, dignidade, visibilidade e pelo direito das mulheres lésbicas à uma vida livre de violência. Ele surgiu em 1999, quando aconteceu no Rio de Janeiro o I Seminário Nacional de Lésbicas.

O motivo dessa data? Vamos lá.

“Você é bonita demais pra ser lésbica?”, “você é lésbica porque nunca teve um homem que te pegasse de jeito!” ou “porque você quer ficar agindo como um homem?” .

Pra quem é uma mulher lésbica, essas e outras frases fazem parte da nossa existência. Falar de lesbofobia, assim como do preconceito voltado a homens gays, pessoas bissexuais, travestis e transexuais é falar de vidas construídas a partir do medo, da negação familiar, social mas também da resistência. A discriminação direcionada à orientação sexual se materializa, muitas vezes, na rejeição do carinho dentro de nossas próprias casas, no assédio moral e sexual nos locais de trabalhos, nas piadinhas ao atravessar a rua, no medo da demonstração afetiva em público, na falta de acesso à políticas públicas de saúde específicas para nós e, nos casos mais absurdos, na violência física e psicológica extrema.

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Quem já ouviu falar no estupro corretivo? Talvez não todo mundo. Mas com certeza todos já ouviram a frase “um dia alguém vai te ensinar a gostar de homem”. Não é uma frase qualquer. De acordo com a Liga Brasileira de Lésbicas (LBL), 6% das vítimas de estupro que chegaram a procurar o Disque 100 do governo federal eram mulheres lésbicas ou bissexuais. O chamado estupro corretivo é uma violência usada como forma de punição às mulheres lésbicas que sejam reconhecidas como tal ou estejam demonstrando carinho em público. Os agressores acreditam que a penetração forçada pelo pênis seja uma forma de “cura”, uma maneira de mudar a nossa orientação sexual. Semelhante a isso nós vemos espancamentos coletivos, ataques com ácidos e a entrega forçada dessas mulheres a centros que se oferecem para “converter” lésbicas.

Falar dessa realidade é cruel para nós. Mas não deixa de ser absolutamente necessário, ainda mais quando pensamos no alto índice de subnotificação de crimes LGBTfóbicos no Brasil. Ainda em 2013, o número de homicídios de LGBTs no Brasil compilado pelo Grupo Gay da Bahia foi 11 vezes maior do que apontavam os registros oficiais da então Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH). Invisibilidade presente nos boletins de ocorrência que não compreendem crimes de ódio, na falta de políticas de enfrentamento a essa realidade, falta de campanhas de conscientização etc – inclusive para os próprios agentes de segurança.

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E eu não poderia deixar de falar que agora querem retroceder ainda mais em nossos direitos. Atualmente, o Congresso examina propostas que eliminarão toda e qualquer informação sobre educação sexual e reprodutiva do currículo do ensino básico. Esta proibição inclui a educação sobre identidade de gênero e orientação sexual. Ou seja, além de podar nossos direitos, querem ainda acabar com uma construção histórica de educação em direitos humanos em um momento tão crucial na formação de nossas crianças e adolescentes. Precisamos barrar isso agora, clique aqui! 

Tornar visível, então, é não apenas mostrar ao mundo que existimos, mas que nossa existência não se dá de forma simples. É mostrar que enquanto somos violentadas nas ruas ou dentro de casa, também fomos e ainda somos esquecidas pelo Estado. É mostrar que através do nosso reconhecimento como parte de um coletivo, travamos uma luta diária pela nossa dignidade. Travamos uma luta diária pelo nosso direito de existir e amar. E continuaremos travando, firmes.

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Assine a petição Direitos não se Liquidam, contra as propostas de retrocessos que correm no Congresso. Agora é a hora de nos mobilizar antes que nossos direitos sejam devastados!

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Thayane Guimarães
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