Nós falamos bastante sobre defender direitos humanos – e que eles são para todo mundo. E tem gente que leva a defesa desses direitos e a luta por garanti-los como um objetivo de vida. A essas corajosas pessoas chamamos de defensoras de direitos humanos.

Marielle Franco era uma delas. E assim como Marielle, muitas outras mulheres dedicaram – e ainda dedicam – suas vidas em defender direitos no mundo inteiro.

Elas acreditam no sonho de que um outro mundo é possível: um mundo onde podemos viver sem medo e livres da violência, ter dignidade e liberdade, poder nos expressar, ter direito a viver em um meio ambiente saudável, poder plantar e viver como nossos ancestrais. Ou mudar. Sermos quem quisermos ser. Livres de opressão. Um mundo onde temos acesso de verdade à educação, à saúde, à moradia e ao trabalho digno. Onde possamos cuidar das nossas florestas, sermos quem somos, do jeito que somos: negras, indígenas, quilombolas, migrantes, faveladas, LGBTQI, trabalhadoras rurais, sindicalistas, operárias. As mulheres defensoras de direitos humanos são tudo isso, em sua pluralidade, diversidade, imensidão. São mulheres e são milhares! Neste 8 de março, Dia Internacional da Mulher, você conhecerá algumas delas:

 

Berta Cáceres

Assim como para Marielle, para Berta Cáceres, não havia outro caminho senão lutar. Ela repetia essa frase, marco de sua luta pela terra, pelo meio ambiente e pela vida. Berta foi uma líder indígena lenca, cofundadora do Conselho Cívico de Organizações Populares e Indígenas de Honduras (COPINH). Durante anos, ela fez campanha contra a construção da barragem de Agua Zarca, na comunidade de Rio Branco. Há 5 anos, no dia 02 de março de 2016, a ativista foi assassinada dentro do próprio quarto, e o caso segue sem resolução.

Chelsea Manning

Chelsea Manning confronta as autoridades! Militar transexual do exército estadunidense, ela foi a responsável por ter exposto informações classificadas como secreta, incluindo indícios de possíveis crimes de guerra cometidos por militares do país, que resultaram no escândalo conhecido como “Cablegate”. Por conta de suas denúncias, ela foi condenada a uma pena de 35 anos de prisão. A sentença que lhe foi pronunciada é muito mais extensa do que as que foram aplicadas a militares condenados por homicídio, violação e crimes de guerra, e a Anistia Internacional atuou fortemente em seu caso até usa libertação. Hoje, é política e defensora das pautas de gênero.

Débora Maria da Silva

Em maio de 2006, a vida de Débora mudou quando seu filho, Edson Rogério Silva dos Santos, foi uma das mais de 500 vítimas da reação da polícia de São Paulo aos ataques do PCC (Primeiro Comando da Capital). Débora, junto de outras mães que também perderam seus filhos no episódio que ficou conhecido como “Crimes de Maio“, fundou o Movimento Mães de Maio e, desde então, tem lutado incansavelmente por justiça, memória e, sobretudo, pelo combate à violência policial. Hoje, o grupo luta contra a violência policial no país.

Dorothy Stang

Irmã Dorothy, como ficou conhecida, foi uma religiosa estadunidense naturalizada brasileira. Sua atividade pastoral defendia os trabalhadores rurais do Pará através da minimização de conflitos fundiários e da geração de emprego com projetos de reflorestamento. Em 2005, aos 73 anos, foi assassinada em uma emboscada por um fazendeiro paraense. Dorothy até hoje é inspiração para muitas pessoas na luta pela terra.

Fátima Pinho

Fátima Pinho luta contra o racismo. Após ver seu filho, Paulo Roberto Pinho, ser espancado até a morte pela polícia, Fátima começou a entender o espaço que negros moradores de favela ocupam na sociedade. Hoje, ela faz parte do grupo Mães de Manguinhos, movimento de mães que perderam filhos em circunstâncias parecidas.

Greta Thunberg

A jovem de 18 anos é uma ativista ambiental sueca que ficou conhecida por protestar, durante muitas sextas-feiras, do lado de fora do parlamento do país em um movimento que se popularizou ao redor do mundo como “Fridays for Future” (sextas pelo futuro, em português) e ganhou adesão mundial como um movimento jovem com o objetivo de lutar contra as mudanças climáticas. Hoje, Greta é uma das maiores líderes para assuntos do meio ambiente.

Jani Silva

Jani Silva é uma pequena agricultora e fundadora da Associação para o Desenvolvimento Integral e Sustentável da Pérola Amazónica (ADISPA) e uma incansável defensora da conservação do ecossistema amazônico e pelos direitos de centenas de camponeses na Colômbia. Porém, seu trabalho em defender esse rico ecossistema incomodou grupos ilegais, militares, traficantes de drogas e empresas multinacionais e agora ela sofre graves ameaças de morte. Ela e sua família se viram forçados a mudar-se, mas a luta de Jani por um mundo melhor não parou.

Malala

Malala levanta sua voz pelo direito das crianças e das mulheres e pelo acesso à educação para todas e todos! A jovem paquistanesa, vencedora do Prêmio Nobel da Paz com apenas 17 anos, foi vítima de um atentado do Talibã em 2012 ao defender o direito das meninas de ir à escola no Paquistão. Hoje é uma importante voz na luta pelo acesso à educação e pelos direitos das mulheres.

Maria Dalva

Em 2003, seu filho Thiago, com 19 anos, foi assassinado no Rio de Janeiro no episódio que ficou conhecido por Chacina do Borel. Depois de uma semana de luto intenso, Maria Dalva resolveu ir à luta para provar a inocência do filho e para que casos como esse não continuem ocorrendo: ela se juntou à Associação de Moradores do Borel e a outros movimentos de mães que perderam os filhos em chacinas. Hoje, Maria Dalva faz parte da Rede de Comunidades e Moradores Contra a Violência.

Marielle Franco

Marielle Franco, quinta vereadora mais votada no Rio de Janeiro em 2017, lutou corajosamente por um Rio de Janeiro mais justo. Ela se posicionava a favor das mulheres negras, das pessoas LGBTI e dos jovens e condenava os assassinatos ilegais cometidos pela polícia. Marielle Franco foi vítima de um crime brutal, planejado e que tinha como intenção silenciar sua voz. Um crime ainda sem resposta – e a não resolução desse caso, e de tantas outras defensoras que foram assassinadas ou ameaçada, passa uma mensagem de crimes contra defensores de direitos humanos podem ficar impunes e gera uma espiral de medo e violência. Por isso seguimos perguntando, quem mandou matar Marielle e por quê?

Rute Silva

A trajetória de Rute Silva começou após o desaparecimento forçado de seu filho, Davi Fiuza, aos 16 anos, em 2014, após uma abordagem policial em Salvador. Seis anos após o caso, as investigações continuam, assim como a luta de Rute.

Sandra Maria

Sandra é quilombola, da Comunidade Carrapatos da Tabatinga,em Minas Gerais, e tem mais de 20 anos de ativismo na causa. Hoje, é coordenadora executiva da Conaq (Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas) e se dedica a manter vivas tradições históricas e culturais, e a preservar as terras ancestrais.

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