“A educação do campo do povo agricultor / Precisa de uma enxada, de um lápis e de um trator / Precisa educador pra trocar conhecimento / O maior ensinamento é a vida e seu valor”. Assim começa a canção que fala de um tema essencial para a população quilombola do campo e de uma educação que buscar legitimar a identidade, o cotidiano e conhecimentos dessas pessoas.  

A educação emancipa e as escolas tendem a ganhar um lugar estratégico  na valorização das diferenças que devem ser orientadas pelo respeito à justiça racial e social.  É nesse sentido que a educação no campo – uma educação pensada a partir do sentimento de pertencimento de quem vive neste território e adaptada à realidade do estudante – se faz tão importante. E falar de conhecimento com e para os quilombolas e demais comunidades tradicionais, além dos povos da floresta, é falar da luta por um modelo de educação que visibiliza e represente essas populações. 

Safira Rodrigues, de 14 anos, e sua irmã, Gabriela Rodrigues, 11 anos, ambas quilombolasacreditam que com a educação a vida de todas e todos no campo pode melhorar e cantaram sobre isso no vídeo “Educação do Campo”, do compositor Gilvan dos Santos.  

Safirajovem quilombola Kalunga de Goiás, nos contou que desde pequena frequenta espaços de discussões sobre a população negra. Hoje, ela faz parte do Comitê de Participação de Adolescentes (CPA) do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, representando todas as crianças e adolescentes Kalungas e quilombolas do Brasil. Ela começou a gravar vídeos para incentivar, através da música, os jovens à uma reflexão tão importante e necessária. A música Educação do Campo, para ela, tinha tudo a ver com sua realidade. 

“Ter educação no campo é lutar pela educação e lutar por nós mesmos, por nossos direitos”, disse a jovem quilombola. “É muito importante para nossa comunidade se queremos uma vida de qualidade”, completa. 

A troca de conhecimento, mencionada na música de Gilvan e cantada pelas irmãs Rodrigues, é um conceito importante para promover e valorizar o diálogo entre diferentes saberes, sejam eles acadêmicos, tradicionais, de movimentos sociais, das universidades ou mesmo das terras e das memórias ancestraisdos saberes e fazeres quilombolas, e construir democraticamente o conhecimento.   

Safira, que não esperava tanta repercussão do vídeo gravado para sua participação na CPA Nacional, complementa que, para uma educação antirracista e inclusiva, “temos que lutar juntos, no coletivo, na educação não somente no espaço escolar”.  

Toda Friday é Black é um movimento aberto a todas e todos que querem combater as desigualdades raciais impostas pelo racismo estrutural. Separamos as sextas-feiras para discutir temas que somem na luta antirracista. Uma campanha Anistia Internacional Brasil, Olodum, Geledés, Conaq, Cedenpa e ONG Criola.

 

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