Mudança climática é a questão mais importante do nosso tempo, de acordo com jovens de mais de vinte países

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Rio de Janeiro 10.12.2019 – A mudança climática é uma das questões mais importantes que o mundo enfrenta, de acordo com uma nova pesquisa feita com jovens e publicada hoje pela Anistia Internacional para marcar o Dia Internacional dos Direitos Humanos.

Com o resultado do levantamento divulgado ao mesmo tempo em que autoridades de todo o mundo se reúnem na Espanha para a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, a COP-25, a Anistia Internacional alerta que o fracasso dos líderes mundiais em lidar com a crise das mudanças climáticas os afastou dos anseios da juventude.

“É importante entender os sinais de alerta que essa pesquisa apresenta sobre a percepção de mais de dez mil jovens em mais de vinte países. O ponto mais citado globalmente por parte desses jovens é a questão climática. E nós da Anistia Internacional acreditamos que os eventos observados neste ano de 2019 mostram que os jovens estão vivendo dentro de um sistema falido”, aponta Jurema Werneck, diretora executiva da Anistia Internacional no Brasil.

A pesquisa “Futuro da humanidade” foi realizada pela Ipsos MORI, em nome da Anistia Internacional, e ouviu mais de 10 mil pessoas com idades entre 18 e 25 anos – a chamada Geração Z – em 22 países, incluindo o Brasil.

Os entrevistados foram solicitados a opinar sobre o estado atual dos direitos humanos em seu país e no mundo, quais questões eles consideram mais importantes e quem eles sentem ser os responsáveis ​​por lidar com os abusos dos direitos humanos.

Os jovens ouvidos foram pedidos para eleger até cinco questões, de uma lista de 23, para apontar quais consideram ser as mais importantes que o mundo enfrenta. No total, 41% disseram que a mudança climática era uma das questões mais importantes enfrentadas por todo o mundo, tornando-a mais citada globalmente. Em seguida, 36% escolheram a poluição e 31% selecionaram o terrorismo.

O aquecimento global também foi o mais citado como uma das questões ambientais mais importantes que o mundo enfrenta (57%), de dez questões ambientais como poluição dos oceanos, poluição do ar e desmatamento.

Geração Z “vive dentro de um sistema falido”

As conclusões da pesquisa vão muito além da crise climática, refletindo as lutas e preocupações cotidianas da Geração Z em seus próprios países.

Em nível nacional, a corrupção foi mais comumente citada como uma das questões mais importantes (36%), seguida por instabilidade econômica (26%), poluição (26%), desigualdade de renda (25%), mudança climática (22%) e violência contra a mulher (21%).

“Um terço destes jovens concorda que a proteção dos direitos humanos é inegociável para o futuro dos seus países. Além disso, foram eles em grande parte, os líderes de manifestações, que levantaram suas vozes contra corrupção, desigualdade e abuso de poder, e enfrentaram uma repressão violenta por isso”, aponta Jurema Werneck, diretora executiva da Anistia Internacional no Brasil.

A pesquisa é divulgada também ao mesmo tempo em que protestos em massa acontecem em todo o mundo, da Argélia ao Chile, passando por Hong Kong, Iraque, Líbano e Sudão. Muitos desses movimentos foram em grande parte liderados por jovens e estudantes, que levantaram suas vozes contra corrupção, desigualdade e abuso de poder, e enfrentaram uma repressão violenta por isso.

Apelo à mudança do sistema com base nos direitos humanos

Ao lado das mudanças climáticas, uma clara maioria dos jovens valoriza os direitos humanos em geral e deseja que seus governos assumam a maior responsabilidade por protegê-los, de acordo com as conclusões da pesquisa “Futuro da humanidade”.

A maioria dos entrevistados concordou que:

• a proteção dos direitos humanos é fundamental para o futuro dos países analisados (73% concorda contra 11% discordam);

• os governos devem levar o bem-estar de seus cidadãos mais a sério do que o crescimento econômico (63% concordam contra 13% discordam); e

• os direitos humanos devem ser protegidos, mesmo que tenham um impacto negativo na economia (60% concordam contra 15% discordam).

As descobertas também revelaram uma crença inequívoca entre muitos jovens de todos os países pesquisados ​​de que os governos devem assumir a maior responsabilidade por garantir os direitos humanos, com 73% dos entrevistados no total apontando a responsabilidade dos governos na comparação com indivíduos (15%), empresas (6%) e ONGs (4%).

Somados aos números que mostram que a maioria dos jovens acredita que votar nas eleições é um método eficaz para iniciar a mudança pelos direitos humanos, além de entrar em greve ou participar de um protesto, os resultados não foram de todo mau para líderes que estão “dispostos a ouvir”.

“Se os eventos de 2019 nos ensinam alguma coisa, é que as gerações mais jovens merecem um assento na mesa quando se trata de decisões sobre elas. A menos que as vozes que estão na linha de frente façam parte da discussão sobre como lidamos com os desafios que a humanidade enfrenta, as crises que estamos testemunhando no mundo só vão pior. Acima de tudo, os governos devem começar a nova década com ações significativas para enfrentar a emergência climática, reduzir as desigualdades e implementar reformas genuínas para acabar com os abusos de poder. Precisamos de mudanças sistêmicas, baseadas em direitos humanos, nos sistemas econômicos e políticos que nos trouxeram até aqui”, concluiu Kumi Naidoo, secretário-geral da Anistia Internacional.

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