Marielle Franco: 600 dias é tempo demais para acumular perguntas, e não respostas

Crédito: Mídia Ninja

Rio de Janeiro. 04.11.2019 – Hoje (04 de novembro) completam-se 600 dias do brutal assassinato da defensora de direitos humanos Marielle Franco e de seu motorista, Anderson Gomes.

No início deste ano, a Anistia Internacional, na ação Labirinto Marielle Franco, destacou 23 perguntas sobre o caso que seguiam em aberto naquele momento. Desde então, algumas foram respondidas. Outras perguntas cruciais, no entanto, seguiram sem resposta como, por exemplo, como armas e munições podem ser extraviadas das forças policiais, sem que isso seja investigado e resolvido; qual o trajeto feito pelos carros usados no crime e, principalmente, quem mandou matar Marielle, e por quê?

>> Assine a petição: Quem matou, quem mandou matar Marielle, e por quê?

Hoje, no marco dos 600 dias após o crime, tanto informações reveladas pela imprensa, como declarações públicas das autoridades na última semana, somam ainda mais perguntas. Para Jurema Werneck, diretora executiva da Anistia Internacional, do que se precisa é de respostas concretas:

Vazamento não é resposta. As atualizações recentes sobre o caso passam a mensagem de que as autoridades estão, de fato, presas num labirinto. E pior: que usam o brutal assassinato de uma defensora de direitos humanos em disputas políticas. A única mensagem aceitável é de comprometimento com a plena e rápida resolução do caso.  600 dias é muito tempo de espera, para acumularmos perguntas e não respostas”.  

Alguns dos questionamentos que a Anistia Internacional levanta, agora, com as notícias recentes do caso, agrupados por temas:

Vazamentos:

1. O presidente Jair Bolsonaro disse que o governador Wilson Witzel vazou a informação sobre o depoimento do porteiro no dia 8. É verdade que o governador teve acesso a informações da investigação que corre sob sigilo? Se vazou para o presidente no dia 8 e o presidente fez este comentário dias depois, houve interferência de alguma das partes nesta lacuna de tempo?

2. Quem são os responsáveis pelos vazamentos sucessivos de informações de uma investigação que corre em sigilo de justiça?

Acesso a provas:

1. O presidente Jair Bolsonaro disse, no sábado dia 02 de novembro, que pegou os áudios da portaria do Vivendas da Barra, antes que eles fossem adulterados. Depois, afirmou que seu filho Carlos Bolsonaro gravou a reprodução das gravações, na própria portaria, e que os áudios originais estão com a Polícia Civil. Afinal, Carlos e Jair Bolsonaro acessaram o arquivo digital original antes ou depois de a Policial Civil ter acesso a esse elemento de prova?

Perícia:

1. O dispositivo de armazenamento de imagens do circuito interno de segurança do condomínio foi periciado para garantir que os áudios e vídeos não foram adulterados? Quando foi essa perícia?

2. Há informações de que a perícia feita pelo Ministério Público do Rio de Janeiro para checar de quem era a voz que atendeu ao interfone na tarde do dia 14 de março de 2018 foi a partir de um CD, e não do computador da portaria do condomínio Vivendas da Barra. Quais foram as reais condições de realização desta perícia?

3. Consta também que a perícia não foi realizada pela Polícia Civil. Por que?

4. Consta que há uma foto enviada pela esposa de Ronnie Lessa ao acusado, em janeiro de 2019, que mostra a planilha de controle de entrada de visitantes no Vivendas da Barra, com a informação da ida de Élcio à casa 58, e que esta foto motivou a apreensão deste documento para análise. Quais as conclusões desta análise?

5. Por que se esperou tanto tempo após a prisão dos suspeitos para realizar esta perícia de documento relevante datado do dia do crime?

6. Por que se esperou tanto tempo após o depoimento do porteiro para realizar a perícia dos áudios?

7. O áudio periciado pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro não é o mesmo áudio obtido pela Polícia Civil? Por que?

8. Existe alguma maneira de se verificar se o contato do porteiro ocorreu, de fato, com a casa 58 ou com a casa de Ronnie Lessa, o que poderia ser registrado pelo computador da portaria, ou o único indício é uma gravação de voz?

Testemunha:

1. O porteiro que prestou o depoimento afirmando da entrada de Élcio Queiroz para a casa 58 está recebendo a proteção necessária a uma testemunha de um caso de homicídio com tamanha repercussão?

2. Afinal, o porteiro mentiu? Se sim, por que?

Sequência de acontecimentos:

1. Alguém mais entrou no condomínio aquela tarde em direção à casa de Ronnie Lessa?

2. Se Élcio saiu do condomínio no carro de Lessa, quando seu carro deixou o local? Quem o retirou?

 Seguimos cobrando uma investigação transparente, justa, imparcial, séria e comprometida que identifique, definitivamente, todos os envolvidos no assassinato da Marielle e do Anderson e, principalmente, seja respondida a pergunta que as famílias, a Anistia Internacional, a comunidade nacional e global esperam: quem mandou matar Marielle, e por quê?, conclui Jurema Werneck, diretora executiva da Anistia Internacional Brasil.

 

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