Anistia Internacional vê com extrema preocupação atualizações sobre o caso Marielle envolvendo nomes de agentes do Estado

Crédito: Mídia Ninja

RIO DE JANEIRO, 18.09.2019 – Em reação à denúncia apresentada por Raquel Dodge ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) na última terça-feira (17/09/2019) contra cinco pessoas por obstrução das investigações do assassinato da defensora de direitos Marielle Franco e de seu motorista, Anderson Gomes, a diretora executiva da Anistia Internacional Brasil, Jurema Werneck, afirma:

Vemos com extrema preocupação a acusação de que agentes do Estado possivelmente estiveram empenhados em atrapalhar as investigações sobre as mortes de Marielle Franco e Anderson Gomes. Defendemos que todo e qualquer nome que surja nas investigações seja apurado com máxima imparcialidade, celeridade e objetividade, independentemente de quem for, doa a quem doer. Sábado se completaram 18 meses, ou um ano e meio, sem Marielle e Anderson, sendo que, até agora, dois acusados de serem os executores foram presos. Para a Anistia Internacional, este caso só estará resolvido quando todos os envolvidos tiverem sido identificados e levados à Justiça, num julgamento justo”, diz Jurema, que completa:

Desde o início deste caso, as autoridades já apresentaram alguns nomes e fizeram afirmações e promessas de solução rápida, inclusive afirmando algumas vezes que já conheciam os nomes dos responsáveis. Em algumas situações, voltaram atrás. O que cobramos são investigações sérias, transparentes e comprometidas com a verdade, para fazer justiça para Marielle e Anderson, e para que o Estado Brasileiro envie um recado claro à sociedade brasileira e à comunidade internacional de comprometimento com as garantias de segurança dos defensores e defensoras de direitos humanos no país”.

Já em relação ao pedido realizado também na última terça-feira por Dodge para a federalização das investigações sobre os mandantes do crime, Jurema esclarece:

A Anistia Internacional não se posiciona sobre a quem deve caber as investigações, uma vez que não tivemos acesso aos inquéritos da Polícia Civil, nem da Polícia Federal, pois o caso segue sob necessário sigilo. O que exigimos e seguiremos insistindo é que, seja sob responsabilidade de quem for, este caso deve ser tratado pelas autoridades de Justiça do país com a seriedade e a transparência que ele requer. Independentemente de quem estiver à frente das investigações, nós estaremos lá, cobrando apurações céleres, justas, imparciais e objetivas para responder às perguntas: quem mandou  matar Marielle, e por quê? E também queremos dizer às autoridades: sigilo é diferente de transparência. Nós exigimos transparência e seriedade nas investigações do assassinato de Marielle e Anderson”, conclui Jurema.

 

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