18 meses sem Marielle: Anistia Internacional renova cobrança pública a Witzel e ao Ministério Público do Rio de Janeiro por solução do caso

Marielle Franco. Foto: Mídia Ninja

RIO DE JANEIRO. 12.09.19 – Seis meses depois de as autoridades do Rio de Janeiro prenderem dois homens acusados de matar Marielle Franco e seu motorista, Anderson Gomes, e se comprometerem em reuniões com a Anistia Internacional e a família de Marielle a levar a investigação adiante, elas ainda não fizeram nenhum avanço importante no sentido de identificar os mandantes do crime e suas motivações.

Diante da ausência de progresso no caso, a Anistia Internacional enviou ao governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, e ao procurador-geral de justiça do Estado, Dr. José Eduardo Gussem, ofícios em que renova sua cobrança por resolução dos assassinatos e por informações atualizadas sobre os inquéritos policiais e outras ações investigativas em curso.

“No dia em que nos reunimos pessoalmente, 13 de março, o governador se comprometeu a empregar esforços e recursos para chegar à resolução do assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes. O procurador-geral de justiça assumiu o mesmo compromisso, mas desde então parece que pouco foi feito para descobrir quem mandou matar Marielle e por quê ou para garantir que todos os envolvidos sejam levados à justiça. Isso coloca em questão o compromisso das autoridades com uma ação célere”, disse Jurema Werneck, diretora executiva da Anistia Internacional no Brasil.

“Renovamos, assim, nossa cobrança às autoridades, e reafirmamos nosso compromisso com o caso. Não descansaremos até que tudo tenha sido esclarecido, até que todos os responsáveis por esse crime, tanto seus autores materiais quanto seus mandantes, tenham sido levados à justiça em um julgamento justo e até que o Estado ofereça proteção e apoio psicossocial às famílias de Marielle e Anderson.”

Marielle Franco era uma mulher negra, bissexual e moradora de favela. Aguerrida defensora dos direitos humanos, trabalhou incansavelmente para defender a dignidade das pessoas, principalmente das mais marginalizadas. Atuou por mais de dez anos como militante política e coordenadora da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, onde  auxiliou dezenas de vítimas, incluindo policiais e seus familiares. Foi também relatora da comissão que fiscalizou a intervenção federal do Exército no Rio de Janeiro em 2018.

No próximo  dia 14 de setembro completam-se 18 meses desde que Marielle e seu motorista foram assassinados. A prisão de dois suspeitos de serem os autores materiais dos assassinatos foi um passo importante para garantir o direito das vítimas à verdade e à justiça. No entanto, aqueles que instigaram e orquestraram o crime ainda não foram identificados.

No início deste ano, a Anistia Internacional destacou 23 perguntas sobre o caso que seguiam em aberto naquele momento. Desde então, algumas foram respondidas, como o uso nas investigações do celular portado pelo motorista do carro dos atiradores. Mas outras perguntas cruciais seguem sem resposta, como as conclusões das investigações realizadas pela Polícia Federal, o trajeto do carro usado no crime e, principalmente: quem mandou matar Marielle, e por quê?

“Nunca é demais lembrar que o Brasil continua sendo um dos países mais perigosos para os defensores e as defensoras dos direitos humanos. Resolvendo o crime contra Marielle, o Estado poderia mostrar que não vai tolerar nenhum ataque contra os defensores dos direitos humanos. As autoridades precisam transmitir uma mensagem clara de garantia de proteção para quem luta pelo que acredita: a garantia dos direitos humanos para todos”, disse Jurema Werneck.

Informações adicionais

A Anistia Internacional faz uma campanha global por justiça para Marielle Franco desde março de 2018. Sua primeira petição, que perguntava quem matou Marielle, recebeu 800 mil assinaturas em todo o mundo. O documento foi entregue ao governador do Rio de Janeiro e ao presidente da República, Jair Bolsonaro, em março de 2019, quando os assassinatos completaram um ano.

Em abril, diante da prisão dos suspeitos autores materiais do crime, a Anistia Internacional abriu uma nova ação para pressionar as autoridades para que sigam com as investigações até que se chegue à justiça, com todos os envolvidos identificados e levados a julgamento justo. Essa segunda petição já soma mais de 80 mil assinaturas apenas no Brasil.

No ano passado Marielle Franco foi um dos dez casos incluídos na campanha global da Anistia “Escreva por Direitos”, que incentiva pessoas em todo o mundo a escrever cartas para defensores e defensoras dos direitos humanos e suas famílias. A solidariedade se multiplicou, e o caso de Marielle inspirou a produção de cerca de 30 mil cartas vindas de todo o mundo.

Para maiores informações ou para organizar uma entrevista, entre em contato com Vanessa Franquilino: +55 (21) 99730-3617, imprensa@anistia.org.br

Leia mais:

Brasil: Prisões são o primeiro sinal de progresso na investigação sobre o assassinato de Marielle Franco (Notícias, 12 de março de 2019)

Brasil: Após um ano de impunidade, as autoridades precisam levar os assassinos de Marielle Franco à justiça (Notícias, 11 de março de 2019)

 

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