Game of Thrones vs. Vida real: 5 ocasiões em que a realidade é pior que a ficção

Anna Neistat
Diretora sênior de pesquisa da Anistia Internacional

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Este texto foi originalmente publicado no Huffington Post

A tão esperada quinta temporada de Game of Thrones começará no domingo (12). Exibida em 170 países, a série choca espectadores e causa controvérsia com sua violência explícita, especialmente contra as mulheres.

Só que muitos aspectos da vida real ao redor do mundo hoje são piores do que os da terra mística da Westeros.

[Alerta de spoiler: Revelações sobre o roteiro de toda a 2ª temporada]

1. EXECUÇÕES

Game of Thrones começa com o Lorde do Norte Ned Stark executando um desertor. Uma vez que nenhum personagem está a salvo na história, ele depois é decapitado pelo despótico Rei Joffrey sete episódios depois.

Apesar das inúmeras execuções, Westeros é fichinha perto das 2.466 penas de morte que a Anistia internacional documentou ao redor do mundo em 2014, 28% a mais que em 2013.

Esse aumento brusco é encabeçado amplamente pelo Egito e pela Nigéria, apesar de o maior número de execuções acontecer na China. Métodos de execução ao redor do planeta incluem injeções letais e enforcamento, ao passo que a decapitação ainda ocorre na Arábia Saudita.

Leia o relatório da Anistia Internacional sobre pena de morte de 2014.

2. TORTURA

A maioria dos exemplos de tratamentos cruéis, desumanos e degradantes em Game of Thrones poderia ter sido inspirada na vida real. Em 2014, a Anistia Internacional documentou várias práticas de tortura que remetem às cenas de tortura de Theon Greyjoy na segunda temporada: remoção de unhas (na Nigéria), execuções simuladas (México) ou deixar as vítimas sem roupa e prender e puxar sua genitália com uma corda (Filipinas).

Em 2014, a Anistia Internacional alertou sobre uma crise global de tortura. Houve relatos de casos de tortura e outros maus-tratos em 141 países nos últimos cinco anos, de espancamentos e estupros ao uso de cachorros para intimidar as vítimas.

As cenas de tortura da série podem ter tocado em uma ferida. 44% das pessoas ainda temem que correriam risco de sofrer tortura se fossem mantidas sob custódia em seus países, segundo uma pesquisa da Anistia.

Descubra mais sobre a campanha Chega de Tortura, da Anistia Internacional.

3. CASAMENTO FORÇADO e outras formas de VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER

Game of Thrones é criticada por sua representação das mulheres e pela violência sexual. Mulheres são estupradas, forçadas a serem escravas sexuais ou sujeitas a outras violências baseadas em seu sexo.

Algumas das protagonistas principais são vendidas ou forçadas a se casarem. Logo no primeiro episódio, o irmão de Daenerys Targaryen a força a se casar para prosseguir com suas ambições.

Os direitos das mulheres não são muito melhores no mundo real. A violência contra a mulher continua sendo causa de conflitos violentos, mas não se limita a isso. Na Argélia e na Tunísia, a legislação permite que um homem acusado de estupro não seja preso caso ele se case com a mulher que estuprou – se ela tiver menos de 18 anos.

Nós desconhecemos a verdadeira escala do casamento forçado, mas o GirlsNotBrides afirma que 700 milhões das mulheres vivas hoje foram casadas antes de fazerem 18 anos. Um país onde o casamento forçado continua é a Somália, apesar de a extensão precisa do problema ser desconhecida. Em março, a Anistia Internacional publicou depoimentos de arrepiar de meninas e mulheres somalis com necessidades especiais que foram forçadas a se casar com homens mais velhos e/ou abusivos:

“Eu tinha 13 anos. Minha família decidiu me dar a esse homem, eu me recusei e fugi. Minha família mandou homens fortes atrás de mim. Eles me pegaram, amarraram meus braços e minhas pernas e me jogaram em um quarto com o homem. Ele bateu em mim desde o começo.”

Mas mulheres e meninas em Westeros e ao redor do mundo estão revidando. Na última semana, a Anistia Internacional destacou as afegãs defensoras dos direitos humanos, que continuam seu trabalho corajosamente, mesmo com ameaças, ataques e assassinatos.

Saiba mais sobre a campanha Meu Corpo, Meus Direitos, da Anistia Internacional.

4. VIGILÂNCIA

Nenhum personagem pode dizer qualquer coisa em Porto Real sem ser ouvido pelos espiões pagos pelos manipuladores políticos “Mindinho” ou Varys, cujos “passarinhos” contam a eles as “histórias mais estranhas”.

Os espiões de hoje não têm “passarinhos”, mas eles têm, de fato, programas de vigilância em massa para meios de comunicação virtuais e móveis, como o Dreamy Smurf , que a agência de inteligência britânica GCHQ usa para ativar telefones celulares que estiverem desligados para usá-los como dispositivos de escuta. Se os poderes do governo de coletaram bilhões de informações online por mês não forem controlados, a internet terá menos privacidade que Porto Real.

Saiba mais sobre a campanha antivigilância #UnfollowMe, da Anistia Internacional.

5. ARMAS QUÍMICAS, CRIANÇAS SOLDADO E OUTROS CRIMES DE GUERRA

O mundo medieval de Game of Thrones é uma zona de guerra brutal com ataques a civis, “fogo vivo” químico e exércitos de escravos compostos por crianças sequestradas, sem mencionar dragões…

2014 foi um ano catastrófico para os civis em zonas de guerra, segundo o relatório anual da Anistia Internacional. O relatório não registrou o uso de dragões, mas destacou violações das leis de guerra em pelo menos 18 países.

Novas evidências do uso de armas químicas surgiram no mês passado. Testemunhas oculares na Síria contaram à Anistia Internacional que foram expostas a ataques de gás de cloro, causando a morte pavorosa de uma família inteira, incluindo três crianças pequenas.

Não deixe a vida real competir com Game of Thrones nos quesitos horror, violência e crueldade. Tome uma atitude e defenda os direitos humanos ao redor do mundo.

Anna Neistat
Diretora sênior de pesquisa da Anistia Internacional

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