“Eu estou sonhando” – como me senti quando meu marido voltou para casa

Fikile Makhubu
Esposa do ex-prisioneiro de consciência na Suazilândia, Bheki Makhubu.

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Bheki Makhubu, um editor da Suazilândia e prisioneiro de consciência segundo a Anistia Internacional, foi libertado em 30 de junho, depois de ser preso ao lado de advogado de direitos humanos Thulani Maseko.

Aqui, sua esposa Fikile descreve seu alívio ao saber da libertação, e a dor de ter seu marido preso por mais de um ano.

Deixe-me começar pelo medo.

Este homem com eu casei … Eu não acho que ele poderia fazer qualquer outra coisa que não seja escrever. E eu não quero que ele faça qualquer outra coisa da vida. Isso é o que ele é. A escrita está no seu sangue. Isso é o que me preocupa. Que ele volte para lá. Que ele seja preso novamente.

Mas, ao mesmo tempo, eu tenho fé de que as coisas vão mudar. Haverá mudança na Suazilândia. Eu tenho essa fé. Nossos filhos, eles vêem o que está acontecendo. A geração deles vê os problemas que enfrentamos como país. Não apenas como a família Makhubu, ou a família Maseko, mas como um país.

Contar para as crianças

Foi tão difícil. Ter que explicar para as crianças que o pai delas não deve sair tão cedo da cadeia. Que eu não sei quanto tempo ele vai estar lá. Nós não esperávamos que seria tanto tempo.

“Mamãe, quando o papai vai voltar para casa? Quando?”

Julho.

“Então julho é quando? É no domingo?”

Não, não é neste domingo. É em outro domingo, longe, muito longe.

Mas eles têm orgulho do pai. Tem sido difícil, honestamente. Mas a comunidade tem sido solidária. Tenho visto swazis sob uma luz diferente.

Voltando para casa

A experiência de terça-feira [quando Bheki foi libertado] foi uma grande mudança para mim. Ouvir o governo admitir que eles não deveriam tê-los detido… Eu senti como se estivesse sonhando. Eu não podia acreditar no que estava ouvindo. Fiquei chocada. Foi uma surpresa maravilhosa!

Estou super animada. Agora só precisamos aprender a recolher os cacos. Não tem sido fácil para nós – para Bheki ou para mim e para as crianças. Mas estamos todos muito animados para tê-lo em casa.

Bheki e eu somos casados ​​por 10 anos. Queríamos celebrar nosso 10º aniversário no ano passado, mas não conseguimos por causa das circunstâncias que nos encontrávamos, enquanto ele estava na prisão.

“Ele se levanta pelo que acredita”

Eu gosto da forma dele de pensar. Ele é um homem independente. E ele é tão teimoso… Eu acho que eu me apaixonei por isso. Ele defende aquilo em que acredita. Sim, às vezes isso não funciona muito bem para mim, porque eu não posso mudar a cabeça dele. Uma vez que ele decide sobre algo, não há simplesmente nada que eu possa fazer. Mas ele é um homem amoroso. Ele é um homem de família.

Foi doloroso. Às vezes você ouve as pessoas falando. Isso abriu meus olhos em muitos aspectos. Me fez perceber que não há liberdade de expressão na Suazilândia. Não há um estado de direitos.

Não Bheki não gostar de ser o centro das atenções. Ele não quer ser um herói. Ele só quer fazer o seu trabalho e ser um homem comum.

Em 25 de julho de 2014, Bheki Makhubu, editor da revista mensal da Suazilândia The Nation, e Thulani Maseko, um advogado de direitos humanos, foram condenados a dois anos de prisão em desprezo de encargos judiciais. Os encargos relacionados a dois artigos publicados na revista The Nation em que ambos tinha levantado preocupações sobre a independência judicial e integridade na Suazilândia. Em 30 de junho, eles foram libertados pelo Supremo Tribunal da Suazilândia após o Estado admitir que não tinha processo contra eles.

A Anistia Internacional os considerou prisioneiros de consciência e fez campanha para sua libertação. Milhares de cartas de apoiantes da Anistia Internacional ao redor do mundo foram entregues aos dois e às suas famílias.

Fikile Makhubu
Esposa do ex-prisioneiro de consciência na Suazilândia, Bheki Makhubu.

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