Eldorado dos Carajás: dor e resistência em imagens

Fátima Mello
Assessora de Direitos Humanos da Anistia Internacional Brasil

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Em 17 de abril completam 20 anos do Massacre de Eldorado dos Carajás, quando 19 trabalhadores rurais sem terra foram assassinados pela polícia durante uma caminhada na “Curva do S”, a caminho de Belém, no Pará. Para marcar essa data, nos juntamos ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra e ao fotógrafo J.R. Ripper, que detém um dos maiores acervos fotográficos sobre defensores de direitos humanos no Brasil. Com a curadoria de Julia Mariano, montamos a exposição “Eldorado dos Carajás: 20 anos de impunidade”.

Ripper esteve presente na época do massacre. Ele ainda documentou todo o processo da segunda autópsia dos corpos, que foi realizada por pressão do MST e de diversas ONGs que contestaram a primeira autópsia realizada pelo IML do Pará. Suas fotos entraram como provas no processo judicial. Nelson Mancini, médico-legista, foi levado do Rio de Janeiro a Marabá para garantir uma autópsia transparente e fidedigna.

Essas imagens – fortes – mostram a dor do massacre, mas também retratam a força da resistência, da solidariedade e da esperança. Esperamos que elas nos estimulem a não mais aceitar a impunidade para os crimes cometidos contra defensores de direitos humanos.

 

Caminhão no trajeto para Curionópolis levando os 19 corpos das vítimas do massacre.

Caminhão no trajeto para Curionópolis levando os 19 corpos das vítimas do massacre.

 Caminhão no trajeto para Curionópolis saindo de Marabá levando os 19 corpos das vítimas do massacre, mostra a mobilização nas ruas após a tragédia

Caminhão no trajeto para Curionópolis saindo de Marabá levando os 19 corpos das vítimas do massacre, mostra a mobilização nas ruas após a tragédia.

 Caixões com os corpos no IML de Marabá à espera da segunda autópsia realizada por Nelson Mancini. Os corpos foram retirados dos caixões para a segunda autópsia.

Caixões com os corpos no IML de Marabá à espera da segunda autópsia realizada por Nelson Mancini. Os corpos foram retirados dos caixões para a segunda autópsia.

 Marcas de balas fotografadas por Ripper durante a segunda autópsia.

Marcas de balas fotografadas por Ripper durante a segunda autópsia.

 Jornalistas tentando fotografar a segunda autópsia pela janela da sala do IML de Marabá. Apenas J.R Ripper foi autorizado a entrar no local para documentar o processo.

Jornalistas tentando fotografar a segunda autópsia pela janela da sala do IML de Marabá. Apenas J.R Ripper foi autorizado a entrar no local para documentar o processo.

 Sobreviventes do massacre em recuperação no hospital de Marabá, dando depoimento para a Polícia Civil sobre o que viveram na curva do S no dia 17/04/1996.

Sobreviventes do massacre em recuperação no hospital de Marabá, dando depoimento para a Polícia Civil sobre o que viveram na curva do S no dia 17/04/1996.

 A dor e o sofrimento dos familiares durante o velório das 19 vítimas, em Curionópolis.

A dor e o sofrimento dos familiares durante o velório das 19 vítimas, em Curionópolis.

 Velório das 19 vítimas em Curionópolis.

Velório das 19 vítimas em Curionópolis.

 Camponeses no velório.

Camponeses no velório.

 Crianças do MST presentes no velório em Curionópolis.

Crianças do MST presentes no velório em Curionópolis.

 Caminhada dos trabalhadores rurais sem terra do velório para o cemitério onde os 19 mortos foram enterrados. O caminho de mais de 3km foi tomado por camponeses que foram dar seu apoio às famílias e ao MST.

Caminhada dos trabalhadores rurais sem terra do velório para o cemitério onde os 19 mortos foram enterrados. O caminho de mais de 3km foi tomado por camponeses que foram dar seu apoio às famílias e ao MST.

 Caixão de uma das vítimas sendo carregado durante a caminhada de 3kms até o cemitério de Curionópolis. | © J.R. Ripper

Caixão de uma das vítimas sendo carregado durante a caminhada de 3kms até o cemitério de Curionópolis.

 Caixão de uma das vítimas sendo carregado durante a caminhada de 3kms até o cemitério de Curionópolis.

Estrada tomada por camponeses que se dirigiam ao cemitério de Curionópolis para o sepultamento das 19 vítimas do massacre.

 Estrada tomada por camponeses que se dirigiam ao cemitério de Curionópolis para o sepultamento das 19 vítimas do massacre.

Mobilização no cemitério de Curionópolis na preparação das 19 sepulturas das vítimas do massacre.

 Mobilização no cemitério de Curionópolis na preparação das 19 sepulturas das vítimas do massacre.

Momento do sepultamento das 19 vítimas do massacre, no cemitério de Curionópolis.

 Momento do sepultamento das 19 vítimas do massacre no cemitério de Curionópolis.

Momento do sepultamento das 19 vítimas do massacre no cemitério de Curionópolis.

 Criança durante o sepultamento das 19 vítimas do Massacre em Curionópolis.

Criança durante o sepultamento das 19 vítimas do Massacre em Curionópolis.

 

Ao longo destes anos, a Anistia Internacional documentou e analisou as violações de direitos humanos cometidas no massacre de Eldorado dos Carajás, cobrando justiça. Continuamos atuando pela proteção de defensores de direitos humanos no Pará, em outros estados do Brasil e no mundo.

A exposição “Eldorado dos Carajás: 20 anos de impunidade” é uma contribuição à memória do caso que se tornou símbolo da violência contra os que lutam pelo direito à terra no Brasil.

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Massacre de Eldorado dos Carajás: 20 anos de impunidade e violência no campo

Fátima Mello
Assessora de Direitos Humanos da Anistia Internacional Brasil

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