Cinco vidas interrompidas: dois anos da Chacina de Costa Barros

Lígia Batista
Assistente de Pesquisa da Anistia Internacional Brasil

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Há exatos dois anos uma chacina deixou cicatrizes dolorosas nas vidas de cinco famílias. No dia 28 de novembro de 2015, cinco jovens negros foram brutalmente assassinados dentro de um carro por policiais militares em Costa Barros, zona norte do Rio de Janeiro. 111 balas foram disparadas por agentes do Estado e destruíram sonhos, projetos, aspirações. Mais cinco histórias interrompidas, mais cinco corpos negros tratados com desvalor.

Naquele dia, Roberto de Souza Penha, de 16 anos, recebeu seu primeiro salário e saiu para comemorar junto com os amigos Wesley Castro, de 25 anos, Wilton Esteves Domingos Junior, de 20 anos, Cleiton Corrêa de Souza, de 18 anos, e Carlos Eduardo da Silva Souza, de 16 anos.

Passaram a tarde no Parque de Madureira, espaço de lazer da zona norte do Rio onde acontecem diversos eventos – em especial de enaltecimento da cultura preta – com muita música, dança e atividades culturais. Depois de retornarem para casa, na parte da noite, os amigos decidiram se reunir para fazer um lanche e fechar o dia de comemoração. Saíram os cinco num carro, todos juntos. No caminho, em uma estrada próxima ao morro da Lagartixa, foram recebidos a tiros por PMs do 41º BPM (Irajá), o batalhão responsável pelo maior número de homicídios decorrentes de intervenção policial na cidade do Rio de Janeiro, sem que houvesse motivo que justificasse tal ação de extrema violência.

Com a mobilização social e a pressão de diversos atores, o caso foi investigado, o Ministério Público ofereceu denúncia contra os policiais e hoje o caso tramita na Justiça. Mas acompanhar esse processo não tem sido fácil para nenhum dos familiares. Uma delas, Joselita de Souza, mãe de Roberto, não resistiu à dor e faleceu no início de junho de 2016. Morreu de tristeza. Somam-se a isso os relatos de tentativas de suicídio e adoecimento daqueles que ainda resistem na luta.

Nesse novembro negro, em que celebramos diversas vitórias conquistadas com suor e sangue de irmãos e irmãs pretas contra o racismo ao longo da nossa história, em que celebramos a juventude preta viva e potente, não podemos deixar de marcar a memória dos que se foram. Se calar diante das violações cometidas pelo Estado é fortalecer essa lógica contínua de impunidade seletiva e violência.

Roberto, Wesley, Wilton, Cleiton e Carlos Eduardo: presentes!

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