Cinco razões pelas quais são importantes as marchas de orgulho

Bruno F. Duarte
Assistente de Novas Mídias

VER TODOS OS POSTS    
Publicado por Prissila Solorzáno el 27 de Octubre de 2015 a las 3:02pm en Derechos Humanos en el Mundo

 

1. As pessoas continuam sofrendo agressões por sua orientação sexual ou identidade de gênero, real ou atribuída.

As ameaças, a violência e a perseguição contra pessoas LGBTI são moeda corrente, inclusive durante as marchas do Orgulho. Há países onde não é possível celebrar uma marcha de Orgulho sem uma forte presença policial. Este ano, 250 pessoas se manifestaram pacificamente pelo Orgulho em Kiev (Ucrânia) quando alguns contra-manifestantes arremeteram violentamente contra o desfile e feriram 10 pessoas. Em muitos países, como a Ucrânia, os crimes cometidos pela orientação sexual ou a identidade de gênero, real ou atribuída, não são processados pelos agentes do Estado como crimes de ódio e, às vezes, nem chegam a ser investigados.

Os crimes de ódio LGBTfóbicos têm um efeito devastador nas comunidades LGBTI. O medo de ser alvo de agressões leva as pessoas a ocultar sua identidade. Quando os agressores ficam impunes, propaga-se a desconfiança da polícia e dos tribunais. Mais, não são denunciados todos os crimes de ódio cometidos, o que significa que as pessoas não recebem a indispensável proteção que necessitam.

Europride 2015

 

2. As marchas do Orgulho são uma oportunidade para questionar a legislação homofóbica e transfóbica

Em Moscou (Rússia), está proibida a celebração de marchas do Orgulho desde 2006 e, após a decisão adotada em 2012 pelo Tribunal Municipal de Moscou, estará pelos próximos 100 anos. De outra parte, em 2013 foi promulgada uma lei federal que proíbe a promoção das “relações sexuais não convencionais” entre pessoas menores de idade. Dito em poucas palavras, a lei proíbe o ativismo LGBTI, assim como os grupos que aprovam estes direitos, e pune as pessoas por manifestarem sua orientação sexual ou sua orientação de gênero, por exemplo, em marchas do Orgulho.

Este ano, foram detidos três ativistas por tentarem celebrar uma marcha do Orgulho em Moscou. No entanto, há vislumbres de esperança, por também este ano mais de 350 pessoas poderem celebrar em San Petersburgo o Dia Internacional contra a Homofobia e a Transfobia. O constante empenho dos ativistas GLBTI russos para organizar a marcha do Orgulho não reside unicamente no ato em si, mas também questiona com valentia as injustas leis vigentes na Rússia que restringem a liberdade de expressão e de reunião pacífica.

Manifestação em Copacabana. Junho de 2014.

 

3. Os direitos nunca devem ser dados por consumados

As coisas não devem ser dadas como consumadas, nem sequer em países nos quais antes se permitia a marcha do Orgulho. Este ano foi proibida em três ocasiões o que seria a primeira marcha do Orgulho na história de Nikšić (Montenegro). As autoridades negaram a autorização por motivos de segurança, mas a polícia de Nikšić não cooperou com os organizadores, que estavam dispostos a tratar os aspectos da convocação para resolver todo o risco de segurança.

Em Istambul, as autoridades turcas decidiram proibir a marcha do Orgulho deste ano, apesar desses atos terem ocorridos desde 2003 sem incidentes. Apesar da proibição, reuniram-se 5.000 pessoas que se manifestaram pacificamente, mas a polícia as dispersou usando gás lacrimogêneo, projéteis de pimenta e canhões de água. Infelizmente, esta lamentável ofensiva é parte de uma longa série de severas restrições do direito de reunião pacífica, mas ainda assim causou comoção em um país onde, no ano passado, a marcha do Orgulho atraiu até 90.000 pessoas.

 

4. As marchas do Orgulho ajudam a mudar a mentalidade das pessoas

É  possível mudar as coisas, inclusive quando existem atitudes homofóbicas e transfóbicas. Quando 70 ativistas LGBTI desfilaram em 2005 pelas ruas de Riga (Letônia) na primeira marcha do Orgulho do país, foram ao seu encontro mais de 2.000 contra-manifestantes e muitos dos ativistas foram agredidos. Dez anos depois participaram mais de 5.000 pessoas na marcha do Orgulho de 2015, com a presença de somente 40 contra-manifestantes e não se teve notícia de nenhum incidente grave. “Tanto as pessoas que manifestavam como quem observava estavam alegres, muitos transeuntes nos saudavam com as mãos”, afirmou Rupert,  ativista do grupo da Anistia Alemanha sobre os direitos das pessoas genderqueer.

Do mesmo modo, a marcha do Orgulho de Belgrado (Sérvia) ocorreu com êxito em 2014 e 1015, depois de ser proibida por três anos seguidos. Em ambos os casos, os atos transcorreram pacificamente e segundo o plano dos organizadores, contaram com a proteção adequada da polícia. Deste modo se transmite uma mensagem firme à população local, assim como a outras cidades e países vizinhos. Demonstra-se que as autoridades estão comprometidas a defender os direitos LGBTI e que o ativismo pode mudar as coisas.

Manifestação em Copacabana. Junho de 2014.

 

5. As marchas do Orgulho empoderam as pessoas

As marchas do Orgulho têm a ver com os direitos humanos empoderando as pessoas LGBTI para reivindicar os direitos e as liberdades que lhes são negados, assim como o espaço público do qual frequentemente são excluídas. Ter visibilidade é fundamental, sobretudo quando o Estado e grupos de oposição fazem todo o possível para marginalizar as pessoas LGBTI. Quando 160 ativistas se reuniram nas ruas de Podgorica para celebrar a marcha do Orgulho em 2014, temia-se que os agredissem como em anos anteriores. Felizmente, o ato transcorreu sem incidentes.

Ao combater o sentimento de vergonha e o estigma social e ao encarar as ameaças e a violência, as marchas do Orgulho não são  apenas oportunidades inspiradoras para celebrar a diversidade, mas também uma declaração de intenções. Através destes atos, as pessoas que se manifestam declaram que não se deixarão intimidar, que seguirão exigindo por igualdade e dizendo que os direitos LGBTI são direitos humanos.

 

Manifestação em Copacabana. Junho de 2014.

Bruno F. Duarte
Assistente de Novas Mídias

VER TODOS OS POSTS    
Imprimir

Mais Posts

6 de fevereiro de 2020 Anistia Internacional

Promova o debate sobre direitos humanos com nossos guias de educação

A Anistia Internacional preparou 4 guias para aqueles e aquelas que desejem promover atividades educativas baseadas em direitos humanos. São os cadernos didáticos da campanha Escreva por Direitos!

14 de novembro de 2019 Anistia Internacional Tags: , ,

A única saída possível: justiça para Marielle!

Diante de todas as notícias das últimas semanas, acredito que eu e você compartilhamos do mesmo sentimento: a sensação de angústia de estarmos dentro de um labirinto de notícias sobre o caso Marielle.

5 de novembro de 2019 Anistia Internacional Tags: , , ,

Povos indígenas e tradicionais da Amazônia

Para nós, povos indígenas da Amazônia, a floresta é nosso berço de origem e de civilização, e nossa condição de existência, física, cultural e espiritual.
Ver todos os posts
Resultados

Conheça alguns dos casos de sucesso que foram trabalhados pela Anistia Internacional.

Saiba mais