Arte como ferramenta de luta e resistência

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Por Laura Escheberger, ativista do grupo Porto Alegre

No dia 14 de junho, quando completavam-se quatro meses sem respostas sobre do assassinato de Marielle, o grupo de ativismo de Porto Alegre organizou uma oficina de Grafitti no Barracão, coração de Villa Cruzeiro, em homenagem à defensora. O evento aconteceu no Grupo Arte e Expressão do Negro (GADEN), onde são realizadas oficinas com crianças da Cruzeiro todo sábado à tarde.

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Apesar do baixo investimento público e da escassez de materiais ou profissionais dispostos a realizar oficinas voluntariamente, um trabalho lindo tem acontecido por lá. Experimentar esse momento de arte e expressão da cultura negra com crianças é um ato de resistência.

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Felipe Reis foi o artista que desenvolveu a oficina e se disponibilizou com muita alegria para participar desse momento. Inicialmente, fizemos uma roda de conversa para apresentar o trabalho da Anistia Internacional, do GADEN e para conhecer as crianças e o artista.

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Aos 18 anos, Reis foi para o Rio de Janeiro e começou a dar aulas de grafitti na Rocinha. Algum tempo depois, foi trabalhar e morar no Complexo da Maré, onde conheceu Marielle Franco. Felipe contou um pouco sobre Marielle e reforçou o fato de ela estar sempre preocupada e atuando em defesa dos direitos humanos. Ele relembra também que Marielle não precisou tornar-se vereadora para começar a atuar, pois já lutava em favor dos direitos da juventude negra, da comunidade LGBTI e contra a violência policial que sofre a população da favela desde muito antes de ser eleita. Ao falar da amiga, Reis não conseguiu conter as lágrimas, emocionando todos nós.

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Entre as crianças, havia um garoto muito falador que pediu para Felipe não chorar, senão ele choraria também… Essas crianças, muitas vezes são expostas a um tipo de violência que sequer compreendem – e era contra isso que Marielle tanto lutava: para que crianças como essas da Villa Cruzeiro tivessem a chance de crescer sem serem vítimas da violência policial, para que tivessem acesso aos direitos básicos.

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No início da oficina, Felipe demonstrou muita didática e uma sensibilidade incrível. Ensinou às crianças, com extrema paciência e descontração, como utilizar os sprays, fez a base da escrita e deixou a meninada brincar. As crianças logo se animaram e começaram a pintar o muro do GADEN e algumas outras, que passavam por lá no momento, resolveram se juntar.

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Até mesmo nós, ativistas da Anistia Internacional ficamos animados em tentar. Foi uma manhã extremamente especial, que nos relembrou o porquê dessas causas valerem tanto a pena, pois ainda há muita gente boa no mundo. Reis, além de um incrível artista, se mostrou uma pessoa sensível e um ótimo professor. Disponibilizou-se a fazer a oficina no dia de seu aniversário, de forma voluntária e ainda ressaltou, no início, que a ação era de certa forma um presente para ele. Eu como ativista fiquei muito emocionada com a atividade que, além de ter sido o meu primeiro contato com o graffiti, aprendi muito com Reis e com o pessoal do GADEN.

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Acredito muito na arte como uma maneira de resistir e lutar por uma causa. O resultado foi lindo e foi incrível ver as crianças se soltando e se divertindo com a oficina daquela forma. O dia já era por si só muito simbólico e emocionante, mas aquela oficina proporcionou uma sensação maravilhosa de dever cumprido. Espero que o impacto tenha sido positivo para todos envolvidos e que esta seja a primeira de muitas parcerias com o GADEN e o Felipe!

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