Ansiedade e Direitos Humanos em tempos de coronavirus

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* Santiago Florit

Costumo dizer que ansiedade é excesso de futuro.

Mas logo vem a pergunta: como não sentir ansiedade em meio a tantas incertezas do nosso cotidiano, sobre o futuro da sociedade, principalmente quando relacionamos esse futuro às inúmeras violações de direitos humanos existentes aqui e no mundo?

Enfrentamos atualmente uma crise global provocada pelo novo coronavirus (COVID-19) e, junto com isso, um governo que tem dado diversas declarações que vão contra os interesses populares e orientações de órgãos internacionais que buscam combater essa pandemia e salvar as vidas das pessoas.

Pensando principalmente na população em situação de maior vulnerabilidade, temos ainda mais anseios e preocupações. Proteger-se nesta epidemia é um direito, mas em nosso país a prática do isolamento social não está acessível a todas e todos. Há pessoas que trabalham em atividades essenciais – e é por elas que devemos ficar em casa, para que circulem em maior segurança. E há pessoas que precisam trabalhar ou não terão condições básicas de vida. Esta é uma das marcas da desigualdade que atravessa o Brasil.

Muitas pessoas estão em “isolamento”, mas vivem em lugares sem nenhum tipo de ventilação, em casas de um cômodo só para uma família grande, outras sequer têm saneamento básico ou sabão para lavar as mãos em suas comunidades.

Portanto, se você tem a possibilidade de estar em isolamento, dentro de sua casa minimamente confortável e com condições de se manter assim, agradeça e continue a fazer a diferença por quem não tem essa mesma condição.

Toda essa situação gera ainda mais ansiedade e, por isso, o momento é de união para que possamos lutar para que toda a população tenha condições básicas de vida, principalmente durante a pandemia e a necessidade de isolamento.

É muito importante nos atentarmos ao aqui e agora, assimilando aquilo que podemos fazer e o que foge ao nosso controle. Para isso, se faz necessário retomarmos a Declaração Universal dos Direitos Humanos e relembrarmos que o acesso à saúde pública de qualidade é um direito universal, assim como a liberdade de sentir e se expressar.

Ansiedade nos trava e impede de agirmos, nos fechando em nossa própria realidade. Respira! Está tudo bem se sentir assim, mesmo que isso nos traga diversos desconfortos pessoais.

Mas como transformar essa ansiedade? Por que não utilizar deste momento para dialogar com as pessoas sobre os direitos que todos nós temos e que devem ser garantidos integralmente? Ver inúmeras injustiças acontecendo pode trazer ainda mais autocobrança para alguns de nós, por isso retomar a Declaração Universal nos traz empoderamento para que lutemos juntas e juntos. Também nos faz perceber que está tudo bem em nos sentir ansiosos e ansiosas.

Nosso dever é cuidar pra que essa ansiedade não se transforme em um problema maior que nos adoeça.

Nossa ansiedade pode ser transformada! Essa energia acumulada por diversas incertezas sobre o futuro, pode ser transformada em energia de luta pelos direitos básicos nossos e de outras pessoas, daí a importância de nos (re)apropriarmos desse discurso.

Se hoje não for possível para você, está tudo bem. Não somos uma máquina. Somos seres que sentem.

Respire! Sinta-se, se reconheça, se abrace. Acolha-se para poder acolher também o outro e dividir em coletivo essas angústias e incertezas que a vida nos coloca. Vivemos em conjunto e este é o momento de respeitarmos nossos tempos para conseguir seguir a vida.

Ansiedade existe e é normal, não se culpe! A partir do momento que olhamos para ela, nos acolhemos e nos apropriamos de nossos direitos em prol do bem comum, vemos que a ansiedade pode virar energia vital.

Tudo no seu tempo e assim poderemos tornar mais leve nossos dias e os de milhões de pessoas.

Lembre-se: RESPIRE! Tudo vai melhorar! Somos agentes de transformação para nós e para o outro. Não podemos assumir uma responsabilidade que é do Estado, mas podemos e devemos cobrá-lo para que garanta os direitos da população sem nenhum tipo de seletividade.

Unidas e unidos, empoderadas e empoderados, enfrentaremos a ansiedade e as inúmeras violações de direitos humanos que existem.

Dicas para controlar a ansiedade:
  • Pare de ver informações em excesso e desnecessárias se isso te faz sentir mal. Uma vez pela manhã já é suficiente para se atualizar.
  • Esteja em contato (mesmo virtual) com pessoas que você ama e que te fazem se sentir amada ou amado.
  • Pratique exercícios de respiração (meditação, yoga, etc.)
  • Faça alguma atividade física, uma caminhada pelos cômodos pode ser divertida!
  • Alimente-se e hidrate-se bem!
  • Evite pensar em coisas que fogem ao seu controle.
  • Mantenha a cabeça ocupada com algo que te faça bem.
  • Se acalme e lembre-se que tudo sempre passa.
  • Defenda Direitos Humanos.

* Santiago Florit é psicólogo e Coordenador de Captação de Recursos da Anistia Internacional Brasil

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