Policiais da UPP apreenderam em 14 de julho, na Rocinha, um homem que teria sido confundido com um traficante procurado no Rio de Janeiro. Segundo a polícia, ele foi solto após checagem de antecedentes criminais, mas desde então está desaparecido.

Amarildo Souza Lima, de 42 anos, foi levado por agentes da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) à sede da UPP na Rocinha, Rio de Janeiro. Câmeras de vigilância instaladas próximas à entrada da Unidade registraram a entrada de Amarildo, mas a polícia alega que ele saiu por outra porta, cuja câmera não estava funcionando. A polícia diz que está investigando o que aconteceu depois que Amarildo foi liberado, mas até agora nada foi encontrado.

Sua esposa, Elizabeth Gomes da Silva, disse à imprensa: “Não acredito mais que vou encontrar ele com vida. Não sofremos nenhuma ameaça, mas tenho medo, muito medo de que depois que a poeira baixar a polícia faça algo comigo ou com minha família” (O Globo, 24/7). Amarildo sempre morou na Rocinha, e é bastante conhecido pela vizinhança e pela polícia local.

Moradores da Rocinha organizaram uma série de manifestações a partir do dia 17 de julho, com a participação de pessoas de várias partes do Rio de Janeiro e intensa atividade nas redes sociais. Juntamente com organizações de direitos humanos e agentes policiais, moradores e amigos de Amarildo têm realizado buscas pelo seu corpo, mas ainda não encontraram pistas para o seu desaparecimento.

Por favor, escreva imediatamente para as pessoas abaixo:

 Instando as autoridades para que ordenem a investigação imediata, completa e independente sobre o que aconteceu com o Amarildo depois que ele foi liberado da UPP no dia 14 de julho, e que os responsáveis pelo desaparecimento sejam trazidos à justiça.
 Instando-os para que garantam às possíveis testemunhas, à família de Amarildo e a todas as pessoas que participam das investigações a proteção necessária contra intimidações.
 Demandando que câmeras de vigilância sejam usadas para monitorar a atividade policial, e que portanto sejam instaladas também dentro e fora das sedes de UPP.

POR FAVOR, ENVIE SUAS CARTAS ATÉ O DIA 12 DE SETEMBRO DE 2013 PARA:

Governador do Rio de Janeiro
Sergio Cabral 
Palácio Guanabara
R. Pinheiro Machado, s/n - Laranjeiras
CEP 22238-900 Rio de Janeiro, RJ 
Fax: +55 21 23343559
Email: telmaoliveira@gabgovernador.rj.gov.br documentacao@gabgovernador.rj.gov.br 
Saudação: Prezado Governador

Secretário de Estado de Segurança Pública
José Mariano Beltrame
Praça Cristiano Ottoni, s/nº - Prédio da Central do Brasil
CEP 20221-250 Rio de Janeiro, RJ 
Fax: +55 21 23349329
Email: secretariodeseguranca@seguranca.rj.gov.br
Saudação: Prezado Secretário

Com cópia para:
Presidente da Comissão de Direitos Humanos da ALERJ
Dep. Marcelo Freixo
ALERJ – Palácio Tiradentes
Rua 1º de Março, s/n
CEP 20010-090 Rio de Janeiro, RJ 
Fax:+55 21 25881268
Email:  marcelofreixo@alerj.rj.gov.br

Se a carta for enviada após o prazo acima, favor consultar o escritório da Anistia Internacional do seu país para orientação.  
 
AÇÃO URGENTE
"SUSPEITO" DESAPARECE SOB CUSTÓDIA DA POLÍCIA
INFORMAÇÃO ADICIONAL

A Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) é um modelo de policiamento comunitário que vem sendo implantado em certas favelas do Rio de Janeiro. Apesar de estatísticas oficiais indicarem que a implementação das UPPs reduziu a incidência da criminalidade, a Anistia Internacional tem recebido denúncias de violações de direitos humanos em áreas pacificadas.

A Rocinha é uma das maiores favelas do Rio de Janeiro, com cerca de 70 mil habitantes, e se localiza próxima ao bairro de classe média-alta de São Conrado. A UPP foi implementada na Rocinha em setembro de 2012.

Amarildo Souza Lima mora na Rocinha, uma favela construída sobre um morro cheio de ladeiras íngremes. Ele morou ali durante toda sua vida. Não há nenhuma evidência de que Amarildo tenha envolvimento em atividades ilegais. Ele trabalha como pedreiro e já ajudou na construção de várias casas na vizinhança.

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